Elijonas Maia
Blog
Elijonas Maia

Maranhense radicado em Brasília, cobre investigações policiais e os bastidores da segurança pública há 15 anos

Malas com roupas de Ramagem ajudaram PF a localizar ex-deputado nos EUA

Revista no embarque no Rio identificou peças do ex-deputado em bagagens da esposa; a partir disso, investigadores passaram a monitorar a chegada dela ao país e os desdobramentos do deslocamento

Compartilhar matéria

O ex-deputado federal Alexandre Ramagem (PL) foi localizado pela PF (Polícia Federal) na Flórida, nos Estados Unidos, após investigadores identificarem roupas dele em malas levadas pela esposa, Rebeca Ramagem, ao país.

Em 27 de novembro do ano passado, Rebeca viajou aos EUA com as duas filhas e dezenas de malas. Até então, a PF desconhecia o paradeiro de Ramagem, que havia deixado o Brasil em 11 de setembro.

No embarque, no Aeroporto do Galeão, no Rio de Janeiro, as bagagens foram revistadas e o celular de Rebeca apreendido. Na inspeção, os agentes verificaram que cinco malas continham roupas de Ramagem, o que levou ao monitoramento da chegada dela à Flórida e, posteriormente, à localização do ex-deputado.

"Fui surpreendida, na entrada da aeronave, por um mandado de busca pessoal expedido pelo ministro Alexandre de Moraes. Durante o procedimento, tivemos todas as nossas malas retiradas do voo e revistadas, além de apreenderem meu celular, computadores e outros itens", escreveu Rebeca, à época, nas redes sociais.

Como não foi identificada irregularidade, Rebeca seguiu viagem aos Estados Unidos com as malas. O alerta, no entanto, já havia sido acionado na PF.

Assim que ela desembarcou, a Polícia Federal — por meio do oficial de ligação — passou a monitorar seus deslocamentos no país. Foi a partir daí que o veículo que a buscou no aeroporto entrou no radar dos investigadores.

A PF passou a monitorar o veículo em uma espécie de "campana", com agentes em observação discreta. As informações obtidas eram encaminhadas às autoridades norte-americanas.

A polícia brasileira não pode prender um brasileiro em outro país, mesmo quando há confirmação de que ele é foragido. Nesses casos, o procedimento é reunir informações e repassar às autoridades locais, como foi feito com a polícia norte-americana no caso de Alexandre Ramagem.

Segundo delegados ouvidos pela CNN, havia ainda um entrave burocrático: o passaporte diplomático de Ramagem estava cancelado no Brasil, mas a restrição não constava inicialmente nos sistemas internacionais.

Diante disso, a PF alterou o procedimento em dezembro e passou a incluir esse tipo de registro na Interpol, ampliando o acesso das autoridades estrangeiras às informações.

Ramagem foi detido pelo ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas), na Flórida, por volta das 12h desta segunda-feira (13). Em nota, a PF diz que a prisão ocorreu por questões migratórias e é fruto da cooperação da corporação brasileira com as autoridades americanas

Entretanto, aliados do ex-deputado apontam que Ramagem foi detido em razão de uma infração de trânsito. Ele foi levado para a detenção, onde está à disposição da Justiça.

Segundo a PF, não há como falar em deportação neste momento, já que Ramagem tem pedido de asilo político em análise pelo governo dos Estados Unidos. A detenção, segundo investigadores, não tem relação com a condenação no STF (Supremo Tribunal Federal) a 16 anos por tentativa de golpe de Estado.