PT e PL calculam impacto eleitoral da prisão de Ramagem
Prisão do ex-diretor da Abin reposiciona estratégias e alimenta narrativas dos dois lados

A prisão de Alexandre Ramagem passou a ser tratada tanto pelo PT, quanto pelo PL, menos como um episódio isolado e mais como um fator com potencial de impacto na disputa eleitoral de 2026.
Para petistas, o caso reforça a associação do entorno bolsonarista a investigações da trama golpista e, na visão de integrantes do partido, abre caminho para que o tema volte a ser explorado na disputa narrativa.
Já no PL, a leitura é dupla. Uma ala reconhece o tamanho do desgaste, especialmente por atingir uma figura que se mostrou fiel a Jair Bolsonaro (PL). Ao mesmo tempo, o grupo aposta no reforço do discurso de perseguição, estratégia que tende a mobilizar a base mais fiel.
A atuação do ex-deputado Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos também entra no cálculo interno do PL. O entendimento é de que o episódio levanta dúvidas sobre o peso de sua atuação junto ao governo Trump.
Internamente, o partido avalia que o caso é negativo para os bolsonaristas e ocorre em um momento delicado, em meio a desgastes sobre as eleições dentro da família Bolsonaro e atritos públicos entre Eduardo e Nikolas Ferreira nas redes sociais.
Para as legendas, o desfecho ainda é incerto. A eventual extradição de Alexandre Ramagem depende de etapas jurídicas e decisões que ainda não estão dadas.
Entre aliados de Ramagem, a avaliação é de que ainda há tempo para que fatores políticos nos Estados Unidos possam influenciar esse processo. Até lá, PT e PL seguem ajustando estratégias diante de um cenário em aberto.



