Nunes Marques negou pedido da PF de buscas contra ACM Neto
Decisão do ministro foi contra parecer favorável da PGR por medidas contra o político; PF aponta candidato ao governo da Bahia como principal investigado
O ministro Kassio Nunes Marques, do STF (Supremo Tribunal Federal), negou o pedido da PF (Polícia Federal) para cumprir mandado de busca e apreensão contra Antônio Carlos Magalhães Neto, o ACM Neto (União Brasil), na décima fase da operação Overclean.
A decisão do relator do caso também foi contra o parecer da PGR (Procuradoria-Geral da República), que concordou com a PF por medidas no âmbito das investigações sobre direcionamento de licitações e fraudes em contratos públicos com o grupo de Marcos Moura, o “Rei do Lixo”, e Alex Parente.
ACM Neto é candidato ao governo da Bahia e é apontado pela PF como o principal investigado no caso. Em nota, ele negou ter relação com os fatos investigados e afirmou haver uma "tentativa de interferir no processo eleitoral".
A investigação diz que ele indicou o então secretário de Educação de Salvador Bruno Barral para ser secretário da mesma pasta em Belo Horizonte (MG) para fechar contratos com o grupo investigado.
Três contratos foram fechados pela Secretaria Municipal de Educação de BH, sob o comando de Barral, com empresas de Alex Parente, por intermédio do Rei do Lixo. A soma desses acordos é de R$ 80 milhões, e a PF diz que o número é ainda maior, porque há outras celebrações sendo investigadas.
O pedido da PF foi feito no começo do ano e o parecer da PGR também, antes do período eleitoral. A decisão do ministro negando as buscas ainda está sob sigilo.
Barral, Moura e Parente foram alvos de busca e apreensão nesta quinta-feira (17) pela PF.
A Overclean cumpriu 24 mandados de buscas em seis estados e apreendeu dinheiro em espécie e celulares.
A CNN questionou o gabinete de Nunes Marques e aguarda resposta. O espaço está aberto para manifestações.
Veja a íntegra da nota divulgada por ACM Neto sobre a Operação Overclean.
“Fica cada vez mais clara a tentativa de interferir no processo eleitoral com a criação e divulgação de factoides e insinuações mentirosas e falsas, através de vazamentos seletivos, que buscam associar indevidamente meu nome a situações que nunca tive envolvimento.
Na semana passada, convoquei uma coletiva de imprensa para denunciar esse tipo de ataque à nossa candidatura. Agora, faltando apenas duas semanas para a eleição, isso se mostra ainda mais evidente. Trata-se de uma nova tentativa de influenciar na Eleição da Bahia.
A Operação Overclean começou em dezembro de 2024 e, nesses quase dois anos, nunca houve o apontamento de qualquer tipo de conduta que me relacionasse à prática de ato ilícito. E não houve justamente porque não tenho nenhuma relação com qualquer dos fatos que estão sendo investigados. A completa e total inconsistência dessas insinuações foi confirmada pela decisão do STF, que indeferiu o pedido formulado na representação, conforme divulgado pela imprensa. Temos a chance de, em 17 dias, vencer um grupo político que controla o governo do estado há 20 anos e que já demonstrou que é capaz de fazer qualquer coisa para se manter no poder, tentando inclusive usar as estruturas de Estado para interferir no resultado da eleição. Nada disso vai me abalar e nem me desviar do meu propósito de servir ao povo da Bahia.
Seguirei rodando o Estado, divulgando minhas propostas de governo e dialogando com a população, até o dia 4 de outubro, quando o povo terá oportunidade de dar uma resposta nas urnas.”



