Voto de Kassio anima Mendonça e preocupa governo e Moraes

Ministro foi célere em se alinhar ao colega para manter afastamento de diretor-geral da PF

Daniel Rittner e Matheus Teixeira
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O voto do ministro Kassio Nunes Marques para manter o afastamento do diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, animou o entorno do ministro André Mendonça e causou preocupação no governo federal e em pessoas próximas ao ministro Alexandre de Moraes.

Ambos são os únicos indicados pelo ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) no Supremo Tribunal Federal (STF) e já divergiram em casos importantes, mas ampliaram o alinhamento nos últimos meses e o julgamento sobre a troca de acusações entre Mendonça e Moraes passou a ser visto como o grande teste sobre a convergência dos dois.

De um lado, Mendonça, que é vice-presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), tem dado respaldo à gestão do colega à frente da corte eleitoral. De outro, Kassio vem ajudando Mendonça a garantir vitórias importantes à frente do caso Master.

Apesar disso, a posição de Kassio sobre o pedido de investigação contra Moraes é visto como uma incógnita. O fato de ter se posicionado para afastar Andrei do cargo, no entanto, foi interpretado por aliados de Mendonça como uma sinalização de que pode ter o apoio do colega.

Com isso, o relator dos casos do Master e do INSS teria mais chance de vencer o embate contra Moraes.

Tanto no governo quanto em pessoas próximas a Moraes, por sua vez, o voto de Kassio e a celeridade para se alinhar a Mendonça causou preocupação. Uma das avaliações é que, apesar da pressão para se posicionar contra investigações de ministros, o magistrado vem dando sinais de que não mudará a estratégia de alinhamento a Mendonça.

Caso o presidente da corte, Edson Fachin, submete o caso ao plenário, Kassio terá que votar se o tribunal abre ou não investigação contra Moraes com base em relatório da polícia que aponta que ele recebeu mais de 50 mensagens de Vorcaro com consultas, inclusive, sobre uma possível fuga do Brasil. O documento também mostra que o próprio magistrado editou o contrato de R$ 131 milhões firmado pela mulher de Moraes, Viviane Barci de Moraes e o Banco Master.

O ministro também terá que se posicionar sobre o contra-ataque de Moraes, que, no âmbito do inquérito das fake news, pediu para o plenário da corte autorizar investigação contra Mendonça por crime de responsabilidade e improbidade administrativa por suposto direcionamento político na condução dos inquéritos do Master e do INSS.