Fernanda Magnotta
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Fernanda Magnotta

PhD especializada em Estados Unidos. Professora da FAAP, pesquisadora do CEBRI e do Inter-American Dialogue. Referência brasileira na área de Relações Internacionais

Análise: Trump dobra aposta com tarifaço, testa mercado e sua popularidade

Anúncio de tarifas dos EUA desta quarta-feira (2) representará um teste econômico, nos mercados internacionais, e político, sobre a popularidade de Trump

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O “tarifaço” a ser formalmente anunciado por Donald Trump nesta quarta-feira (2) representará, ao que tudo indica, um teste crucial em múltiplas frentes: no campo econômico, no que tange aos mercados internacionais, e do ponto de vista político.

Primeiramente, trata-se de uma prova significativa para a economia dos Estados Unidos, que já começa a sentir a pressão inflacionária decorrente dessa política comercial.

Indicadores recentes mostram claramente que a confiança do consumidor está em queda, refletindo preocupações cada vez maiores sobre a estabilidade econômica futura. Com o custo dos produtos importados subindo rapidamente, o poder de compra da sociedade poderá sofrer um golpe considerável.

Empresas de grande porte já expressaram preocupações públicas, indicando que os preços de bens essenciais e eletrônicos poderiam aumentar significativamente para os consumidores finais.

Além disso, o impacto dessa política é visível nos mercados financeiros internacionais, que não receberam bem o anúncio das novas tarifas. Os números falam por si só: o índice S&P 500 caiu 0,51%, o Nasdaq Composite recuou 1,13%, e embora o Dow Jones Industrial Average tenha registrado leve alta de 0,26% recentemente, o desempenho geral marcou o pior trimestre em três anos.

Claramente, a incerteza provocada por Trump está gerando volatilidade significativa e inquietação entre investidores globais. Exemplos adicionais incluem quedas acentuadas nas bolsas asiáticas e europeias, refletindo temores generalizados sobre uma possível guerra comercial prolongada.

Por fim, há o teste político. Até agora, Trump tem desfrutado de um apoio consistente dentro do Partido Republicano, mas essa solidez pode ser ameaçada a depender dos efeitos dessas medidas.

Uma recente pesquisa AP-NORC mostrou que a popularidade de Trump no tema do comércio está caindo acentuadamente. Apenas 40% dos americanos aprovam sua gestão econômica, enquanto 60% manifestam algum grau de desaprovação quanto às negociações comerciais em andamento.

Políticos influentes dentro do partido, como os senadores republicanos Mitt Romney e Ben Sasse, já criticaram publicamente a abordagem tarifária de Trump, apontando para os riscos econômicos e políticos associados. Não podemos nos esquecer que em 2 anos haverá eleições de meio de mandato no Congresso, e que isso pautará o debate público até lá.

Para completar esse cenário preocupante, é inevitável esperar “contra-ataques” comerciais por parte de outros países. Parceiros e rivais comerciais dos Estados Unidos já sinalizam possíveis retaliações, incluindo restrições mais rígidas ao Vale do Silício e ao setor financeiro americano, onde se concentram apoiadores importantes do governo.

Exemplos recentes incluem ameaças da União Europeia de impor tarifas sobre produtos icônicos dos Estados Unidos como o uísque Bourbon e as motocicletas Harley-Davidson, enquanto a China prepara medidas mais severas contra gigantes tecnológicos como Google e Facebook.

Em resumo, o “tarifaço” de Trump não é algo menor. Ao contrário, é um momento decisivo que colocará à prova a resiliência econômica dos Estados Unidos, o equilíbrio dos mercados internacionais e a estabilidade política do próprio presidente americano. Há muito em jogo. Olhos atentos.