Fernanda Pressinott
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Fernanda Pressinott

Comanda o CNN Agro. Atua há mais de 25 anos em economia e agronegócio, com passagens pelo Valor Econômico, Globo Rural, Isto É e como comentarista na Globo News. Tem MBA pela FIA, Insper e FGV.

Análise: Empresas do agro conseguem driblar quebras nas contas

Balanços de empresas como Camil, Brasil Agro e Kepler revelam queda nas margens, mas setor resiste com diversificação

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A temporada de balanços corporativos referentes ao primeiro trimestre de 2026 trouxe sinais de alerta para o setor do agronegócio brasileiro. Apesar das pressões combinadas de juros elevados, instabilidade geopolítica e margens apertadas, o resultado não foi o colapso que muitos analistas temiam.

Os balanços divulgados por empresas como Kepler, Brasil Agro e Camil refletem, sobretudo, a queda no preço das commodities. Na hora de colher e vender as commoditys, o preço não paga os custos de produção.

Queda de preços pressiona resultados

No caso da Camil, o trimestre encerrou com prejuízo de R$ 40 milhões e queda de 31% no lucro anual, atribuída exclusivamente à desvalorização do arroz e do açúcar. Já a Brasilagro adotou a estratégia de reter a soja colhida em janeiro e fevereiro à espera de preços melhores — tática que funcionou bem no ano anterior —, mas, desta vez, os preços não se recuperaram, tornando o primeiro trimestre igualmente negativo.

A expectativa é de uma recuperação no segundo semestre, com uma possível melhora do cenário macroeconômico. Entre os fatores monitorados estão a estabilidade no conflito no Oriente Médio, a normalização do tráfego de fertilizantes pelo Estreito de Ormuz e a estabilização do preço do petróleo.

Paralelo com 2016 e mercado mais maduro

O atual cenário é semelhante a  2016, quando o setor também enfrentou juros elevados e custos de produção altos. No entanto, desde então o mercado está mais maduro. Produtores rurais e agroindústrias já passaram por crises anteriores — incluindo a pandemia de Covid-19 e a guerra na Ucrânia — e estão mais calejados.

A diversificação aparece como principal estratégia de resiliência entre as empresas analisadas. A Kepler ampliou a atuação para soluções voltadas a portos e agroindústrias, além de avançar no mercado internacional. A Brasilagro mantém foco na gestão de ativos imobiliários rurais. Já a Camil investiu em produtos de maior valor agregado, como biscoitos e cafés premium.

Um ponto de otimismo surge no segmento de biocombustíveis: usinas de biodiesel, etanol e trigo apresentam perspectivas mais favoráveis, impulsionadas pelo aumento da demanda.