Fernanda Pressinott
Blog
Fernanda Pressinott

Comanda o CNN Agro. Atua há mais de 25 anos em economia e agronegócio, com passagens pelo Valor Econômico, Globo Rural, Isto É e como comentarista na Globo News. Tem MBA pela FIA, Insper e FGV.

MBRF acelera com força da BRF e reforça aposta em sinergias para 2026

MBRF estreia nova fase pós-fusão com BRF sustentando margens, exportações e expectativa de captura acelerada de sinergias em 2026.

Compartilhar matéria

A MBRF, companhia criada a partir da fusão entre Marfrig e BRF, começou 2026 mostrando que a operação de aves e processados segue como um dos principais motores de rentabilidade do grupo. O balanço do primeiro trimestre revelou um lucro líquido de R$ 111 milhões, alta de 26% na comparação anual, sustentado principalmente pelo desempenho das exportações e pela resiliência da BRF dentro da estrutura consolidada.

Segundo o balanço financeiro, a combinação entre demanda aquecida por proteínas, avanço das exportações e captura de sinergias começa a dar forma ao discurso defendido pela gestão desde a fusão: a criação de uma plataforma global multiproteína menos dependente dos ciclos do gado bovino.

BRF puxou a rentabilidade do grupo

Os números mostram que a BRF teve papel central no desempenho da companhia. A operação de aves e suínos registrou margem EBITDA de 16,6% no trimestre, permanecendo como a unidade mais rentável da MBRF.

Enquanto a divisão bovina da Marfrig ainda enfrenta pressão de custos nos Estados Unidos por causa do ciclo pecuário americano, a BRF conseguiu compensar parte desse cenário com exportações aquecidas e maior eficiência operacional.

As vendas internacionais de aves e suínos tiveram desempenho recorde em março, com crescimento de 43% para a Europa e de 18% para a Ásia. O avanço ajudou a equilibrar o consolidado mesmo em um trimestre marcado pela valorização do real frente ao dólar e por custos ainda elevados.

Na prática, a BRF funcionou como um colchão operacional dentro da MBRF. A companhia conseguiu preservar margens e entregar geração operacional mais robusta justamente em um momento em que a operação bovina global ainda navega em um ambiente mais desafiador.

Sinergias começam a aparecer no balanço

Outro ponto observado pelo mercado foi a aceleração das sinergias da fusão. Segundo dados divulgados pela companha, a MBRF capturou R$ 126 milhões em sinergias apenas no primeiro trimestre, cerca de 20% da meta prevista para o ano.

Além disso, o programa interno de eficiência adicionou outros R$ 296 milhões em ganhos operacionais.

Em call com analistas, o CEO Miguel Gularte afirmou que a companhia está “muito animada” com os próximos trimestres e que 2026 apresenta condições para superar 2025.

A visão positiva está apoiada em quatro pilares principais:

  • demanda global aquecida por proteína animal;
  • oferta mais equilibrada de carne de frango;
  • expansão das habilitações para exportação;
  • avanço das sinergias entre BRF e Marfrig.

O que ainda preocupa

Apesar da melhora operacional, a alavancagem segue elevada e o fluxo de caixa continua pressionado pelos investimentos e pelo custo financeiro da companhia. Além disso, a operação bovina nos Estados Unidos ainda sofre com escassez de gado e compressão de margens.

Outro ponto de atenção é a dependência do mercado externo: 74% da receita da MBRF está dolarizada, o que amplia a exposição cambial e aos riscos geopolíticos. Ainda assim, a empresa afirma que já estruturou estoques e rotas alternativas para evitar impactos logísticos ligados às tensões no Oriente Médio e possíveis restrições sanitárias.