Entenda a mudança da PF em inquérito que investiga Lulinha e gerou críticas

Troca na coordenação das investigações sobre fraudes no INSS resultou em críticas de André Mendonça e da oposição ao governo

Da CNN Brasil
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A Polícia Federal decidiu mudar a coordenação dos inquéritos relacionados às fraudes no Instituto Nacional de Seguro Social (INSS). A mudança gerou polêmica em Brasília e acirrou as críticas da oposição ao governo federal, especialmente em razão das investigações terem como alvo Fábio Luiz Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

O setor da Polícia Federal que até então conduzia as investigações, sendo responsável, inclusive, pela quebra de sigilo de Lulinha em etapa anterior das investigações, foi retirado da coordenação do caso. A responsabilidade pelo caso agora é da Coordenação de Inquéritos nos Tribunais Superiores (Cinq).

As investigações sobre as fraudes no INSS tiveram início na Justiça Federal, mas, à medida que passaram a envolver políticos e autoridades com foro privilegiado, foram encaminhadas ao Supremo Tribunal Federal (STF). A relatoria do caso no STF está a cargo de André Mendonça.

Concomitantemente à mudança de coordenação, um dos delegados responsáveis pelo caso deixou o cargo. A Polícia Federal esclareceu que foi o próprio delegado Guilherme Figueiredo Silva, que chefiava a Divisão de Repressão a Crimes Previdenciários, quem solicitou a transferência, pedindo retorno ao seu estado natal, Minas Gerais.

A instituição classificou a troca como pontual, afirmando que a mudança de área visa ampliar as possibilidades dentro da investigação. No entanto, a explicação não foi suficiente para conter as críticas.

Segundo apuração da CNN, a mudança ocorreu há pelo menos duas semanas, mas André Mendonça não havia sido informado previamente. Ele teria ficado bastante incomodado com o fato e convocou a equipe da Polícia Federal, em reunião que aconteceu nesta sexta-feira (15), para prestar esclarecimentos.

"Como se faz uma mudança em um cargo importante e não se conversa com o relator disso, não se antecipa o relator dessa mudança", destacou a analista de Política Jussara Soares, ao comentar no CNN Prime Time sobre a insatisfação do ministro do STF.

Segundo Jussara, André Mendonça pediu que não houvesse perseguição a ninguém, mas que ele fosse mantido informado sobre qualquer alteração relevante nas investigações.

Por parte da oposição, associou-se a mudança na coordenação ao fato de que o setor da PF havia realizado ações contra Lulinha e conduzido a delação do empresário Maurício Camisotti, apontado como um dos principais responsáveis pelas fraudes no INSS. Essa delação chegou ao STF, mas precisou retornar para ser refeita com a anuência da Procuradoria-Geral da República (PGR).

Reação da oposição

Sóstenes Cavalcante, líder do PL na Câmara dos Deputados, fez um pedido para que o diretor-geral da Polícia Federal, Andrei Rodrigues, seja convocado para prestar esclarecimentos sobre a mudança, que ele classificou como ocorrida em "momento sensível" da investigação.

Em publicação nas redes sociais, Sóstenes Cavalcante lembrou que, quando Jair Bolsonaro substituiu um superintendente da Polícia Federal durante investigações que poderiam atingir seus filhos e aliados, foi duramente criticado pela classe política e pela opinião pública.

Também em análise ao CNN Prime Time, o analista Pedro Venceslau observou que a substituição do delegado deu "um respiro para a oposição" em um momento em que o governo vinha acumulando agendas positivas.

"O presidente Lula, que tem evitado comemorar as operações da PF que atingem seus adversários e orientou ministros a não tripudiar para não ser acusado de aparelhamento da Polícia Federal, agora entrega de bandeja para a oposição um discurso em uma tentativa de saída defensiva nesse momento difícil para Flávio Bolsonaro", destacou Venceslau.

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