Análise: Temor dificulta lobby entre Brasil e empresas dos EUA
Importadores norte-americanos demonstram interesse em reduzir tarifas sobre produtos brasileiros, mas receiam gerar atritos com a Casa Branca
A estratégia brasileira de buscar apoio junto a empresários norte-americanos para contornar as tarifas impostas sobre produtos brasileiros enfrenta obstáculos significativos nos Estados Unidos. O principal entrave é o temor das empresas americanas em despertar possíveis represálias de Donald Trump ao defender os interesses brasileiros.
As negociações, que envolvem tentativas de convencimento por parte de empresários brasileiros junto a seus parceiros comerciais nos Estados Unidos, têm apresentado resultados modestos.
A expectativa inicial de Brasília era que os importadores americanos pudessem exercer pressão interna para reduzir a tarifa de 50% imposta aos produtos brasileiros.
Ações judiciais e resistência
Até o momento, apenas algumas iniciativas concretas foram registradas. A Ajojana-Foods, importadora de suco de laranja, protocolou uma ação na Corte de Negócios Internacionais em Nova York contestando as medidas tarifárias. No entanto, considerando a magnitude das restrições e a proximidade do início de sua vigência, a mobilização tem sido considerada tímida.
Em contraste com os esforços brasileiros, a Associação dos Pecuaristas Norte-Americanos demonstrou apoio às medidas protecionistas. O grupo não apenas endossa a tarifa de 50%, mas a considera "um bom começo" para impedir a entrada da carne brasileira no mercado americano, alegando supostas questões sanitárias.
Com apenas dez dias para a implementação das novas tarifas, prevista para primeiro de agosto, o cenário permanece desafiador para os exportadores brasileiros. A hesitação das empresas americanas em se posicionar contra as medidas tarifárias evidencia a complexidade das relações comerciais entre os dois países.



