Tarifaço: Pequenos exportadores precisam de ação rápida
Produtores de mel, frutas e calçados, entre outros setores, mostram preocupação com tarifa de 50% imposta pelos Estados Unidos sobre produtos do Brasil
Pequenos exportadores brasileiros enfrentam um momento de incerteza após o anúncio de uma tarifa de 50% sobre produtos nacionais pelos Estados Unidos. O impacto é especialmente preocupante para setores que têm o mercado americano como principal destino de suas exportações.
A situação é particularmente delicada para produtores de mel do Piauí e Ceará, onde algumas empresas destinam mais de 90% de sua produção aos EUA. A Cooperativa Apícola do Semiárido Brasileiro, localizada em Picos, Piauí, conseguiu embarcar dois contêineres adicionais antes do início efetivo das tarifas, mas há incertezas sobre a manutenção dos contratos futuros.
Impacto em diversos setores
O Vale do São Francisco, região produtora de melão, manga e uva, também enfrenta desafios significativos. No caso específico da manga, a situação é ainda mais complexa devido ao tempo de transporte marítimo de 30 dias, inviabilizando novos embarques sob as atuais circunstâncias.
Outros setores afetados incluem os fabricantes de calçados do interior do Rio Grande do Sul e São Paulo, além dos produtores de pedras ornamentais do Espírito Santo. Estes segmentos, que têm expressiva exposição ao mercado americano, enfrentam dificuldades adicionais por não possuírem forte representatividade em Brasília ou Washington.
Grandes setores como o da carne e do café aguardam a divulgação de uma possível lista global de exceções, prometida pelo secretário de comércio americano, Robert Lighthizer. Produtos como café, cacau e manga foram mencionados como possíveis candidatos a isenções, mas ainda não há confirmação oficial.



