Entre os dias 11 e 14 de maio, Manhattan se transforma na capital extraoficial dos negócios brasileiros. A Brazil Week, organizada pela BrazilCham (Brazilian-American Chamber of Commerce) e consolidada como o evento de maior densidade de conexões do eixo Brasil- EUA, reuniu esta semana executivos, investidores, governadores e lideranças políticas em
torno de uma agenda que vai do LIDE Brazil Investment Forum ao tradicional Person of the Year Awards Gala Dinner, no American Museum of Natural History.
Em sua 7ª edição, a semana contou ainda com o 25º Brazil Summit, painéis na BlackRock, BTG Pactual e Amazon, e o simbólico toque do sino de abertura da Bolsa de Nova York.
É nesse ecossistema de encontros estratégicos que o VOA opera com presença ativa. O VOA é uma Estrutura Global de Inteligência Coletiva formada por empresários brasileiros no Brasil, nos Estados Unidos, na Europa e em outros mercados estratégicos.
Mais do que um grupo de negócios, o VOA funciona como uma plataforma de leitura de cenários e tomada de decisão coletiva reunindo lideranças que precisam entender o mundo para agir com antecedência. A Brazil Week é uma das semanas do ano em que essa inteligência se concentra: diversas agendas simultâneas, encontros privados, painéis de alto
nível e conversas que raramente chegam ao público geral.
Foi nesse contexto que, no One Vanderbilt, o prédio mais alto do Midtown, conduzi uma conversa exclusiva com Roberto Azevedo, o único latino-americano a ter dirigido a Organização Mundial do Comércio. Por quase uma hora, confrontei o diplomata com as perguntas que o Brasil precisa responder agora.
Estes foram os temas que atravessaram a conversa:
- O rearranjo global das cadeias industriais e onde o Brasil aparece no mapa quando um CEO em Nova York ou Frankfurt decide onde realocar uma fábrica saindo da China.
- A fatura silenciosa de Ormuz como o fechamento do estreito afeta o Brasil por vias que a maioria não percebe: fertilizantes, petroquímicos, frete e seguros.
- O pré-sal como ativo geopolítico - se o Brasil usa o petróleo como instrumento de política externa ou apenas como commodity para vender ao maior lance.
- Terras raras: o novo nióbio? o Brasil tem a segunda maior reserva mundial e produz quase nada. A janela está aberta. Por quanto tempo?
- A tarifa americana e a mensagem real: 50% que virou 40%. Quem é o verdadeiro destinatário do recado de Washington?
- O Mercosul-UE e as letras miúdas: vitória diplomática histórica, como devemos nos preparar
- Por que funciona para o agro e não para o resto.A arquitetura institucional que oagronegócio construiu em 40 anos e que a indústria brasileira nunca teve coragem de replicar.
- A janela que está fechando: as decisões de realocação de capital industrial pós-China estão sendo tomadas entre 2025e 2028. O que se decidir agora dura 30 anos.
- E, para fechar, a pergunta mais difícil: existe um único compromisso que o próximo presidente brasileiro precisaria cumprir nosprimeiros 12 meses para colocar o Brasil como destino sério de friend-shoring até 2030?
As respostas de Roberto Azevedo ao longo de toda a conversa trouxeram algo raro no debate público brasileiro: uma visão ao mesmo tempo construtiva e direcional.
Para os empresários e investidores presentes, cada tema abordado funcionou como uma bússola não para gerar alarme, mas para calibrar decisões.
Em um momento em que as transformações geopolíticas em curso irão redefinir fluxos de capital, cadeias produtivas e alianças estratégicas nas próximas décadas, saber ler o mapa antes que ele mude é a diferença entre liderar e reagir.



