Gilvan Bueno
Blog
Gilvan Bueno

Especialista em finanças, mercado de capitais e educação financeira. Foi sócio e gerente educacional no mercado financeiro. Trabalhou em bancos de investimentos e corretoras. Foi palestrante no Fórum Global South Financiers 2025, realizado em Beijin, China.

Cabe atenção para inflação de alimentos

Colunista vê espaço para corte de 0,25 ponto percentual na próxima reunião do Copom

Compartilhar matéria

O IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo), indicador oficial de inflação do Brasil, registrou alta de 0,33% em janeiro, mantendo a mesma variação de dezembro. O resultado veio levemente acima da projeção do mercado, que esperava 0,32%.

Os dados divulgados revelam pontos de atenção para a economia brasileira, especialmente no setor de transportes, que apresentou aumento significativo influenciado pela alta nos preços dos combustíveis e das passagens de ônibus. O cenário contrasta com a tendência de queda no preço internacional do petróleo observada recentemente.

Gilvan Bueno, colunista do CNN Money, destacou que o resultado do IPCA pode influenciar diretamente a decisão sobre o corte da taxa básica de juros na próxima reunião do Copom (Comitê de Política Monetária) em março.

"Esse IPCA de hoje é uma resposta entre 0,25 para a próxima reunião, entre 0,5 e quem sabe até 0,75", explicou Bueno.

Alimentos e transportes sob observação

Entre os itens que compõem o índice, chamou atenção o comportamento dos preços dos alimentos. O tomate, por exemplo, registrou alta superior a 20%, pressionando o orçamento das famílias brasileiras.

Segundo Bueno, "a gente tem que olhar muito para essa inflação de alimentos e essa inflação de serviços, onde estão ali os grandes pilares".

O especialista observa que o núcleo da inflação e os componentes mais sensíveis podem reforçar a ideia de um corte mais conservador na taxa Selic.

"Eu sigo essa linha do 0,25 porque, olhando o comportamento, a estrutura das últimas reuniões, eu vou um pouco na contramão do mercado", afirmou Bueno, destacando que o Banco Central tem demonstrado cautela para evitar o retorno da inflação.

A análise vem em sintonia com as recentes declarações de Gabriel Galípolo, diretor do Banco Central, que indicou que o possível corte na taxa de juros não representa uma "volta da vitória", reforçando que as decisões continuarão sendo tomadas com base em dados econômicos.

O cenário econômico também apresenta sinais de desaceleração na atividade empresarial, com muitos empresários reduzindo projetos de investimento e expansão, adotando uma postura mais cautelosa diante do atual contexto.

Esse comportamento pode influenciar o ritmo de crescimento econômico nos próximos meses, enquanto o Banco Central equilibra o controle da inflação com o estímulo à economia.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais