Gilvan Bueno
Blog
Gilvan Bueno

Especialista em finanças, mercado de capitais e educação financeira. Foi sócio e gerente educacional no mercado financeiro. Trabalhou em bancos de investimentos e corretoras. Foi palestrante no Fórum Global South Financiers 2025, realizado em Beijin, China.

É uma fuga do excepcionalismo americano?

Nos últimos 60 anos acreditou-se que os Estados Unidos são únicos e, em alguns casos, superiores a outras nações; a construção desta soberania teve um custo alto

Compartilhar matéria
A posição dos americanos é, portanto, bastante excepcional, e pode-se acreditar que nenhum povo democrático jamais será colocado em uma situação semelhante
Alexis de Tocqueville

A guerra tarifária é uma realidade para a economia mundial, e o novo exercício dos investidores, empresários e gestores de investimentos é encontrar um local seguro e com pouca volatilidade para os seus recursos financeiros e planos de crescimento de patrimônio.

Este exercício é importante, pois a discussão é sobre uma pausa, mas não o fim, do excepcionalismo americano.

Nos últimos 60 anos, acreditou-se que os Estados Unidos são únicos e, em alguns casos, superiores a outras nações, devido a sua história, sistema político, valores e desempenho econômico.

A construção desta soberania teve um custo alto: vamos olhar no campo da defesa nacional, entre 1990 a 2024, o governo americano gastou US$ 20 trilhões em defesa, enquanto toda a Europa Ocidental chegou próximo a US$ 6 trilhões.

Estes são os mecanismos que aumentaram a dívida pública americana.

Podemos traduzir o excepcionalismo americano refletindo sobre os números do relatório Global Outlook do FMI, que nos disse que o PIB per capita dos EUA (U$ 86.601) é o dobro do da Europa (U$ 43.353).

Quando comparamos com o estado americano mais pobre, o Mississipi, ele supera economias como Reino Unido e França - muito próximo da Alemanha, que já fiz uma reflexão em um momento anterior.

E ter os recursos no mercado acionário americano ficou meio óbvio, pois o mercado de ações representa 50% do total global, contra 30% no início dos anos 2010.

Estes números confirmam que os portfólios globais estão hoje quase inteiramente concentrados em ativos americanos.

Estes números reforçam o que chamamos de Flight to Quality, ou "voo para a qualidade", é uma expressão muito utilizada no mercado financeiro que remete a um movimento coletivo dos investidores em busca por ativos mais seguros em ambientes de crise e incerteza econômica.

Mas o que acontece quando o Fly to Quality natural vira o centro da crise e incerteza econômica?

Neste primeiro momento, vamos pensar na famosa frase do escândalo de Watergate, nos anos 1970: "Follow the money", ou "siga o dinheiro".

E ela nos conta que investidores institucionais e bancos centrais estão abandonando títulos públicos emitidos pelos EUA, os famosos Treasuries.

Antes das guerras tarifárias, os títulos americanos eram chamados de ativo mais seguro do mundo, a serem objeto de comparação de rentabilidade no mercado de câmbio, crédito privado, commodities, renda fixa e ações.

O porto-seguro deste momento são metais preciosos e dívidas soberanas de países mais estáveis e moedas fortes, como caso do iene, do franco suíço e do euro.

O segundo "follow de money" é a forma que os bancos centrais estão comprando ouro, algo que fez o preço ultrapassar a marca de US$ 4.000 a onça pela primeira vez na história.

Essa fuga de capitais e volatilidade lembra o mercado de capitais dos países de economia emergentes.

E nas crises de fuga de capitais que as economias emergentes viveram o que acontecia em seguida era perda de confiança, colapso das taxas de câmbio, desvalorização nos preços das ações e alta nos rendimentos dos títulos.

No final, esta é a imagem que eu carrego nos meus pensamentos ao me deparar com duas variáveis importantes em qualquer crise: inflação e crescimento econômico.

As variáveis nos mostram que os investidores estão se movimentando como se estivéssemos indo para uma estagflação

Mas quais serão as commodities e a criptomoeda que irá capitalizar essa fuga do excepcionalismo americano?

Para responder precisamos continuar fazendo o "follow the money", ou como se diz no mercado de criptomoedas, siga "o movimento da baleia".

Os grandes investidores são chamados de “baleias” (whales), e eles mostram transações realizadas por investidores que possuem grandes quantidades de um criptoativo — geralmente, tanto que podem influenciar significativamente o preço do ativo.

Acompanhe Economia nas Redes Sociais