Lula adota discurso de racionalidade do gasto público em jantar com o PIB
Sob desconfiança do mercado, petista pretende reforçar compromisso com responsabilidade fiscal e sinalizar disposição para reformas
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) planeja acenar a banqueiros e empresários que, em um quarto mandato, adotará uma reformulação dos gastos e reforçará seu compromisso com a responsabilidade fiscal.
No jantar com pesos-pesados do PIB (Produto Interno Bruto), marcado para esta segunda-feira (31) no Palácio da Alvorada, o petista acenará com o aumento do potencial de investimento e com a disposição de conduzir reformas.
Entre os convidados estão Joesley e Wesley Batista (JBS), Luiz Carlos Trabuco (Bradesco), André Esteves (BTG), Rubens Ometto (Cosan) e José Seripieri (Amil).
O discurso do presidente, já discutido com assessores do governo e dirigentes petistas, será de adoção de uma política de racionalidade nos gastos públicos.
O cardápio inclui reduzir os supersalários do setor público, especialmente no Poder Judiciário, e o atual volume de emendas parlamentares para reverter esses valores em aumento do investimento público e em uma queda gradual da dívida.
O petista também deve acenar disposição em realizar uma reforma administrativa caso ela se mostre necessária no curto prazo.
A ideia do encontro, segundo auxiliares do presidente, é também defender a necessidade de a iniciativa privada investir na exploração dos chamados minerais críticos e no avanço da IA (Inteligência Artificial).
O presidente tem sido pressionado pelo segmento produtivo a se comprometer publicamente com um ajuste fiscal. O petista tem defendido, porém, previsão de superávit primário "cheio" de 0,1% do PIB em 2027 -- número que constará do PLOA (projeto de lei orçamentária) a ser enviado nesta segunda-feira ao Congresso Nacional e que já desconta exceções ao arcabouço fiscal.
O encontro ocorre dias depois de o candidato do PL à sucessão presidencial, Flávio Bolsonaro (PL), ter se reunido com representantes da Faria Lima para apresentar suas propostas econômicas.



