Lula é aconselhado a defender depoimentos de Lulinha e Marcola
Assunto tem sido discutido com equipe de campanha em meio a investigação da PF sobre elo de lobista com filho do presidente e ex-chefe de gabinete do petista
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) foi aconselhado a defender publicamente que seu filho Fábio Luiz Lula da Silva, o Lulinha, e seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola, prestem depoimento à Polícia Federal.
Integrantes da campanha defendem que o petista faça uma demonstração pública de independência das investigações.
A avaliação é que o movimento municiaria a militância com o argumento de que Lula não tem relação com eventual tráfico de influência.
Segundo relatos à CNN, a ideia é de que a declaração do presidente fosse feito em uma entrevista. Até terça-feira (18), porém, o petista não havia decidido se faria a declaração.
O assunto tem sido discutido pelo presidente com o seu núcleo duro nos últimos dias diante do agravamento das suspeitas contra ambos.
A Polícia Federal convocar em breve Lulinha e Marcola para depoimentos.
Em reservado, Lula manifesta a aliadas pesar pelas suspeitas sobre ambos.
Auxiliares presidenciais dizem que o petista não esperava um envolvimento tão grande do ex-chefe de gabinete com a lobista Roberta Luchsinger.
A campanha à reeleição reconhece que hoje os episódios representam um “calcanhar de Aquiles” para a campanha à reeleição. E que, por isso, a estratégia será de também reforçar o discurso sobre um envolvimento do candidato do PL, Flávio Bolsonaro, com o Banco Master.
A estratégia inicial era pautar o debate eleitoral por um comparativo das gestões econômica e social das gestões de Jair Bolsonaro e Luiz Inácio Lula da Silva. Mas os episódios recentes devem levar a uma discussão focada na corrupção.
Elo suspeito
A Polícia Federal apura a atuação de Luchsinger com Marcola e com Lulinha. E de que forma ela abriu portas no governo federal para Antônio Carlos Antunes, conhecido como "Careca do INSS".
Uma das suspeitas da Polícia Federal é que o grupo pode ter articulado a compra de medicamentos à base de cannabis sem a realização de licitação. Em uma das frentes de apuração, a corporação encontrou uma conversa em que Marcola recebe de Luchsinger o modelo de um contrato desta natureza com o Ministério da Saúde.
A polícia também encontrou uma mensagem que aponta que Luchsinger comprou joias de diamante para Ribeiro avaliadas em R$ 9,2 mil. Este é o objeto de um dos três inquéritos abertos no STF (Supremo Tribunal Federal) que tem Lulinha como um dos alvos e que apura os crimes de corrupção e tráfico de influência.
O possível envolvimento do filho do presidente, por sua vez, surgiu após a revelação de uma viagem a Portugal que Lulinha fez ao lado de Antunes e que teria sido custeada pelo lobista. O filho do petista justificou que a viagem serviu para avaliar negócios na área da cannabis medicinal.



