Gustavo Uribe
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Uribe tem duas paixões: política e café. Cobriu 4 presidentes e 4 eleições presidenciais. E acorda todo dia às 5h da manhã para trazer em primeira mão os bastidores do poder

Com ajuda de Mendonça, Lula acredita em traições em votação de Messias

Presidente conversou com o relator da indicação na CCJ e mapeia votos em favor de escolhido ao STF

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O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aposta em traições na direita para aprovar no Senado Federal a indicação de Jorge Messias ao STF (Supremo Tribunal Federal).

A avaliação do presidente se baseia em conversas com integrantes tanto da Suprema Corte como da Casa Legislativa.

O petista foi informado que o advogado-geral da União recebeu sinalizações de endosso no campo conservador; e que uma movimentação de bastidor do ministro André Mendonça, indicado por Jair Bolsonaro (PL) à Suprema Corte, pode virar votos nas bancadas federais do PL e do Republicanos.

Messias teria um almoço nesta terça-feira (2) com a bancada de oposição, mas o encontro foi cancelado devido a uma repercussão negativa. Ainda assim, o indicado se reunirá pessoalmente com senadores de direita durante a semana.

Pelos cálculos do Palácio do Planalto, mesmo com eventuais votos contrários do União Brasil e do PSD, Messias teria hoje uma vantagem apertada para ser aprovado no plenário do Senado Federal.

Para aumentar a vantagem, Lula entrou pessoalmente na negociação e tem estimulado bancadas federais a anunciar apoio a Messias, na tentativa de criar um clima de vitória que estimule traições durante a votação secreta.

A avaliação do presidente é de que, diante de um quadro de vitória certa, as traições costumam ser mais frequentes, já que os senadores não querem se indispor com um ministro da Suprema Corte.

Por isso, o presidente quer aguardar um diagnóstico mais preciso para se reunir com o presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). O objetivo é não ceder a eventuais chantagens diante de uma narrativa de derrota.

Hoje, o governo petista trabalha por um placar no plenário do Senado Federal de 52 votos a favor, mesmo resultado atingido pelo ministro Edson Fachin em 2015, durante o governo Dilma Rousseff. Fachin também enfrentava forte resistência na Casa Legislativa.