Gustavo Uribe
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Uribe tem duas paixões: política e café. Cobriu 4 presidentes e 4 eleições presidenciais. E acorda todo dia às 5h da manhã para trazer em primeira mão os bastidores do poder

Discreta e técnica, ministra se torna a “queridinha do presidente"

Em pouco mais de um ano, Esther Dweck lançou pautas positivas e foi a ministra mais recebida por Lula

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“A ministra da pauta positiva”. A definição usada por um assessor do governo foi assentida por um grupo de congressistas que acompanhava, na última segunda-feira (26), um evento no Palácio do Planalto.

Na mesa principal, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), estava a ministra da Gestão e Inovação, Esther Dweck, que anunciava um novo programa federal.

Diferentemente de outros eventos oficiais, foi o próprio presidente quem fez questão de iniciar a solenidade, como uma espécie de mestre de cerimônia.

“O presidente quis comparecer porque está impressionado com a ministra”, confidenciou um aliado antigo do petista, também presente na solenidade.

Com perfil discreto e técnico, e sem pretensões eleitorais, Esther Dweck passou a ser apelidada no Palácio do Planalto de a “queridinha do presidente” neste início de terceiro mandato.

No último ano, Dweck foi mais recebida em audiências no gabinete presidencial, por exemplo, do que as ministras Nisia Trindade (Saúde) e Simone Tebet (Planejamento).

Em conversas reservadas, o petista não esconde admiração pela ministra, que tem apresentado pautas positivas e, na avaliação de assessores do governo, melhorado a imagem da gestão atual.

A pasta da ministra lançou, em pouco mais de um ano, o “Enem dos Concursos”, a nova Carteira Nacional de Identidade e o Imóvel da Gente, para a concessão, doação e outorga de imóveis públicos com propósito social.

Com pouco orçamento, a pasta que chegou a ser desprezada por partidos aliados, durante a transição de governo, se transformou em uma “máquina de pauta positiva”, como brincam assessores palacianos.

Aliás, com a necessidade de contemplar partidos aliados, Dweck não esperava ser convidada para o primeiro escalão da Esplanada dos Ministérios. Até o convite anterior, para ela que fizesse parte da equipe de transição, a pegou de surpresa.

A economista atuou durante a gestão de Dilma Rousseff no Ministério do Planejamento, onde ganhou a simpatia da atual secretária-executiva da Casa Civil, Miriam Belchior, e do hoje líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA).

No processo de impeachment, contribuiu com a defesa econômica da petista contra a tese das chamadas pedaladas fiscais, ganhando a simpatia da cúpula nacional do partido, que a convidou posteriormente a participar de um grupo de discussão da legenda.

Dweck chegou a se reunir com Lula nessa época e, nas palavras de dirigentes petistas, surpreendeu o hoje presidente com qualidades como franqueza e sensatez.

Por isso, a aposta no Palácio do Planalto é de que a permanência de Dweck no Ministério da Gestão e Inovação não deve durar muito tempo. “Certamente, Lula tem planos maiores para ela”, arrisca um auxiliar do governo.