Análise: Lula dá drible em debate e usa horário nobre para guiar discurso
Candidato à reeleição teve entrevista exibida pela Record no mesmo horário do debate, explorou trunfos eleitorais e defendeu investigação de Lulinha

Enquanto a Band exibia um estúdio esvaziado e com Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante) atacando Lula pela ausência no debate, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abocanhava 20 minutos de exibição na Record, no embalo da audiência vindo da transmissão da 24ª rodada do Campeonato Brasileiro.
A conversa gravada na manhã deste domingo (23) começou com Lula sendo questionado sobre as denúncias envolvendo o filho, Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”.
Apesar do tema árido e que levanta o discurso de corrupção entre os adversários na corrida ao Palácio do Planalto, Lula esteve em uma zona de conforto e sem confronto algum ao falar sobre o caso, repetindo o que já disse e o que já é guiado por discursos de aliados quando o assunto é Lulinha.
O petista falou em “ilações” durante críticas a vazamentos de informações de investigações policiais, disse que não interfere na PF (Polícia Federal), que todo mundo tem direito de provar que é inocente e que o filho sabe que, caso tenha cometido erro, "vai ser julgado, punido ou inocentado”.
A zona de conforto durante a entrevista com a Record aumentou diante da ausência de citações diretas e questionamentos sobre o ex-chefe do gabinete presidencial, Marco Aurélio Santana, o Marcola, que ficou no cargo até 21/07 deste ano e chegou a integrar o time de campanha do petista após deixar o Planalto.
Inquéritos abertos no STF (Supremo Tribunal Federal) apuram se houve tráfico de influência em órgãos do governo na relação entre Lulinha, Marcola e a lobista Roberta Luchsinger.
O PT e o presidente Lula estão acostumados a lidar com o assunto Lulinha ao longo das últimas campanhas presidenciais. Marcola, que até semanas atrás era quem atendia o telefone de Lula, é o fato novo.
A entrevista seguiu sem Marcola e sem novas menções a Lulinha. Lula aproveitou para desenhar linhas de propostas ainda não detalhadas nos discursos para um quarto mandato, como um programa para cuidar de idosos e outra ideia para tratar de educação na economia popular.
O petista explorou ainda trunfos da conversa recente com Donald Trump e temas como segurança pública, com a promessa de recriação de um ministério exclusivo para a área atrelada à aprovação da PEC da Segurança Pública.
Na sexta-feira (21), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), a quem Lula chamou de “amigo” durante a entrevista da Record, despachou o tema para a CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) do Senado.
Durante a entrevista, o presidente da República também frisou uma recente benesse eleitoral que também depende da relação com o presidente do Senado: o fim da taxa das blusinhas.
“Falei com Alcolumbre e vamos anunciar o fim da taxa das blusinhas para quem gosta de comprar as coisinhas de fora”, afirmou à Record.
Enquanto isso, em outro canal, Lula era criticado em todas as oportunidades possíveis por não ter ido ao debate, assim como Flávio Bolsonaro (PL), que só iria se o petista fosse e que, sem a TV aberta, recorreu às redes sociais para explorar temas da economia e o caso Lulinha.
Romeu Zema, do Novo, avisou em cima da hora que tinha desistido de ir. Ficou esquecido e abasteceu a visão de que poderia estar jogando a toalha para sair da disputa presidencial.



