Campanha de Cury vê conversão de "leitor" em "eleitor" e mira baixa renda
Candidato do Avante tira votos de Lula, Flávio e Zema, mas pode ser fenômeno passageiro

O boom nas redes e agora nas pesquisas tem empolgado a campanha de Augusto Cury (Avante) à presidência, mas a dúvida é se o fenômeno será passageiro, se ele irá se desidratar ou se irá se consolidar.
Na Nexus/BTG divulgada nesta segunda-feira (31), Cury saltou de 2% para 11% e alcançou o terceiro lugar, ficando atrás da polarização entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL).
O CEO da Nexus, Marcelo Torkaski, avalia que os votos saíram de todos os espectros, principalmente de Lula, Flávio, Romeu Zema (Novo) e dos patamares brancos e nulos.
"Boa parte é um eleitor não polarizado que estava votando nesses nomes, mas que, no segundo turno, volta todo para Flávio e para Lula. O placar de segundo turno não mexe e a rejeição não cresce", avalia.
O cansaço do eleitorado com o cenário polarizado pode estar por trás do crescimento associado ao que a campanha de Cury vê como uma conversão do "leitor" do livros do psiquiatra em "eleitor".
"Muita gente que já lia, gostava e até admirava o escritor passou a saber da sua candidatura após a exposição a debates, sabatinas e entrevistas. Linkaram o nome à pessoa", avalia o candidato à vice na chapa, Júlio Delgado.
A campanha avalia que o desafio agora é conseguir entrar no eleitorado de baixa renda. Cury conseguiu penetrar na fatia do eleitorado jovem, abaixo dos 35 anos, mas a ideia é trabalhar mais para direcionar a rota para a população de baixo nível de escolaridade e que ganha menos.
Uma das apostas é em temas como o da valorização do salário mínimo e em ter uma "classe média robusta". Em sabatina ao Jornal Nacional no último sábado (29), Cury afirmou que pretende reajustar o mínimo pela inflação e mais 1% ao ano.
"Esperamos que ao final de quatro anos, 48 meses, nós tenhamos, se for juros compostos, talvez 50% ou 60% de aumento do salário mínimo", disse à TV Globo.
O candidato condicionou esse ganho real ao controle das contas públicas, além de uma gestão governamental mais responsável.
O crescimento de Cury nas redes já tinha sido avaliado como "orgânico" pela equipe, após a participação no debate do Grupo Bandeirantes de Comunicação - que ele quase desistiu de participar.
Em menos de uma semana, o número de seguidores aumentou em cerca de 20%. O time de Cury nega as suspeitas de ter inflado os números e afirma que 95% dos que seguem o perfil do escritor são do Brasil.
O marqueteiro Sérgio Lima responde às críticas das campanhas adversárias com a afirmação de que Cury "está unindo o Brasil", em uma ironia ao fato de ter despertado suspeita tanto na direita, quanto na esquerda.
Uma das estratégias foi enviar vídeos personalizados de Cury a pequenos influenciadores, com perfis de 2 a 3 mil seguidores. Foi criada uma rede e o compartilhamento ganhou engajamento, argumenta a campanha.
Pablo Marçal (PRTB), que também tenta ser candidato à presidência e tem forte presença nas redes, também chegou a compartilhar vídeos de Cury.
Na propaganda do rádio e da TV, a campanha do escritor o coloca como "um agente da despolarização", faz trocadilhos com "Cury" e "Cura" para o Brasil e evoca a experiência de psiquiatra do candidato para dizer que "não tem cura, sem escuta".
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