Isabel Mega
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Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Vítimas do desastre de Mariana comemoram decisão da justiça britânica

Tribunal decidiu que BHP é responsável por tragédia; Movimento dos Atingidos por Barragens critica justiça brasileira por não responsabilizar Vale

Rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorreu em 2015
Rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, ocorreu em 2015  • Divulgação/Corpo de Bombeiros de MG
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O MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) considera a decisão do Tribunal Superior de Londres sobre a mineradora BHP uma vitória histórica.

"Essa decisão reafirma as denúncias feitas pelo movimento nos últimos 10 anos, sobretudo, sobre a atuação da justiça brasileira que ainda não foi capaz de responsabilizar a Vale, alegando falta de provas", diz a associação que representa as vítimas da tragédia na Bacia do Rio Doce.

A justiça britânica decidiu nesta sexta-feira (14) que a empresa é “parcialmente culpada” pelo rompimento da barragem de Fundão, em Mariana, Minas Gerais, em 2015.

A corte concluiu que a BHP era direta e/ou indiretamente responsável pela atividade da Samarco, que era "controlada e operada pela BHP e pela Vale".

O rompimento da barragem de Fundão em 5 de novembro de 2015 matou 19 pessoas e poluiu pelo menos 800 km de cursos d'gua.

A decisão desta sexta-feira abre caminho para a fase de quantificação dos danos a serem indenizados na ação inglesa. O calendário será definido pela corte em audiência entre os dias 17 e 18 de dezembro.

A BHP afirmou que irá recorrer da decisão e continuará contestando o processo. A Vale não se manifestou.

Em fato relevante publicado nesta sexta, a Vale reforçou acordo confidencial pelo qual a responsabilidade será compartilhada igualmente por qualquer valor que a BHP (no processo inglês) ou a Vale (no processo holandês) seja condenada a pagar.

A empresa diz permanecer confiante de que um acordo definitivo, assinado em outubro de 2024 no Brasil, oferece os mecanismos mais rápidos e eficazes para compensar os impactados. Também comunicou um provisão de US$500 milhões em suas demonstrações financeiras de 2025 para obrigações decorrentes do rompimento da barragem de Fundão.