Isabel Mega
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Mineira, gosta de uma boa prosa. Filha do rádio, ouve, observa e explica as complexidades da política direto de Brasília

Análise: com vista, ala pró-Moraes assume controle de “timing” da crise

Desdobramentos no plenário dependem de devolução de processo; prazo é de até 90 dias e pode jogar retomada de análise do caso para pós-eleição

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Com o pedido de vista do ministro Flávio Dino, a ala pró-Moraes assume o controle do "timing" da crise no STF (Supremo Tribunal Federal).

Aliado de Moraes, Dino tem até 90 dias para devolver o caso para a análise dos colegas, ou seja, desdobramentos futuros no plenário ficam condicionados ao tempo que o ministro usará para analisar o caso.

Se utilizar o prazo por inteiro, Dino teria até 14 de dezembro para isso, em um cálculo de dias corridos, usado pelo STF.

Ao longo deste primeiro dia de sessão, a estratégia de adiar a análise permeou as falas de aliados de Moraes, as interrupções constantes feitas por ministros e as críticas ao presidente da corte, Edson Fachin.

A ala pró-Moraes defendeu a análise conjunta dos casos de Moraes e de André Mendonça. A princípio, a análise do caso que envolve o ministro relator do caso Master está marcada para ser analisada no dia 23 de setembro, quarta-feira que vem.

É possível que essa sessão também tenha impacto, já que não houve decisão final sobre uma questão de ordem que analisava justamente se os dois processos seriam julgados em conjunto. Ou seja, pode ter sido "truco" em cima de Mendonça.

A depender do que acontecer na data e da continuidade da guerra de ofícios que marcou os últimos dias, a crise pode até ter elementos novos, mas não terá desfecho até que os ministros retomem a sessão interrompida nesta quarta-feira (19).

Os trabalhos no plenário foram marcados por bate-boca entre os ministros, principalmente de Gilmar Mendes e André Mendonça.

Gilmar liderou os ataques ao colega e chegou a dizer que "até a máfia tem ética" e que é "preciso ter decência". Em troca, Mendonça rebateu, dizendo que Gilmar estava sendo leviano.

Em outro embate, o decano saiu em defesa do procurador-geral da República, Paulo Gonet, e interrompeu Mendonça.

"Isto, sim, é leviandade. Um sujeito investido de um sentimento policialesco, junto com os seus delegados. É impressionante a desfaçatez desse sujeito", esbravejou Gilmar.

Mendonça pediu a palavra a Fachin e rebateu aos gritos: "A desfaçatez é de vossa excelência, me respeite".

Ao longo da sessão, André Mendonça teve uma atuação em dobradinha com Luiz Fux, quando ambos levantaram a tese de que há uma "PF paralela", que investiga ministros do Supremo.

Zanin também indicou o alinhamento esperado com Alexandre de Moraes ao votar para que o caso do ministro seja julgado em conjunto com o de Mendonça.

O presidente Fachin, que tem voto esperado pela abertura das investigações, acabou desautorizado pelos colegas por diversas vezes.

Já Cármen Lúcia, que votou para os casos serem analisados de maneira separada, falou em não tomar decisões sob a pressão do clamor público e expôs um “mea culpa” em nome do STF ao se dirigir à população brasileira, o que poderia dar um indicativo favorável à investigação dos dois colegas.