Análise: posição do Brasil sobre Irã traz recado a Trump
Fontes brasileiras suspeitam de apoio dos EUA a protestos

O Brasil costurou uma resposta às manifestações no Irã que também serviu para sinalizar aos Estados Unidos que não se pode naturalizar uma intervenção estrangeira no país.
Após o precedente considerado perigoso pelo Brasil da operação do governo Trump na Venezuela e ameaças em relação à Groenlândia, a preocupação é com novas ações americanas que possam representar uma escalada da situação no Irã.
Reservadamente, fontes brasileiras levantam a suspeita de que a CIA (Central Intelligence Agency) e o Mossad (Serviço Secreto de Israel) possam estar atuando para fomentar uma convulsão social no Irã para facilitar uma possível intervenção.
Ao menos 2.403 pessoas morreram durante os protestos, segundo a organização Human Rights Activists (HRANA).
Na manifestação dessa terça-feira (14), o governo brasileiro sublinha que "cabe apenas aos iranianos decidir, de maneira soberana, sobre o futuro de seu país".
O Itamaraty, por meio da Embaixada do Brasil em Teerã, afirma que se mantém atento às necessidades da comunidade brasileira no Irã. A comunidade brasileira no país é considerada pequena e ainda não há demanda sobre saída do país, que segue com o espaço aéreo aberto.
A recomendação é para que brasileiros evitem viajar para o país no momento.
O Brasil também aguarda os desdobramentos do anúncio de Donald Trump sobre a taxação de 25% para países que negociarem com o Irã.
O país é um importante cliente do agro brasileiro. Em 2025, as exportações brasileiras ultrapassaram os US$ 2,9 bilhões, consolidando o país persa como o quinto maior destino das vendas nacionais na região, segundo dados do governo federal.



