Brasil aposta na diplomacia e no agro para preservar relações comerciais
Em evento reservado, autoridades e empresários discutiram o cenário internacional; clima era de preocupação com a crescente imprevisibilidade da política global

A semana em Brasília foi entre jantares e eventos cruzados com a maior preocupação do momento para o agro: a crise global de fornecimento de commodities com a guerra no Oriente Médio, escaladas tarifárias e corrida por novos mercados para atenuar a imprevisibilidade.
Para isso, a aposta na diplomacia e na representação agropecuária para receber os sul-coreanos se mostrou "método" para preservar relações comerciais.
O encontro entre representantes dos governos do Brasil e da Coreia do Sul, por exemplo, foi oficialmente voltado ao fortalecimento da parceria entre os dois países. Nos bastidores, porém, o ambiente acabou revelando outro aspecto: um esforço da diplomacia brasileira para mostrar previsibilidade e segurança do Brasil.
A delegação brasileira reuniu ministros, autoridades econômicas e representantes do setor privado. Pelo agronegócio, a participação foi bastante restrita, com presença de entidades como o Cecafé, da JBS, da ApexBrasil e da Embrapa, enquanto a maior parte das empresas coreanas presentes estava concentrada nos setores de tecnologia, indústria e automóveis.
A mira é, cada vez mais, a Euroasia. Participantes dos encontros na capital federal relataram que houve esforço para fortalecer o diálogo com parceiros estratégicos diante da instabilidade no comércio internacional.
Segundo participantes ouvidos pela CNN, as conversas paralelas entre ministros, integrantes da equipe econômica, diplomatas e empresários foram dominadas menos pela agenda bilateral e mais pelas transformações recentes da geopolítica mundial e seus impactos sobre o comércio.
No encontro, também estiveram o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, o ministro do MDIC, Marcio Elias Rosa, o vice-presidente Geraldo Alckmin, além dos integrantes do Itamaraty.
A reportagem apuro que a leitura compartilhada nos espaços de conexão entre brasileiros e coreanos era de que preservar canais diplomáticos ganhou ainda mais importância para um país cuja estratégia comercial depende da diversificação de mercados, como o Brasil.
Nos corredores, interlocutores destacaram surpresa com a velocidade das mudanças no ambiente político internacional e classificaram o momento como um dos mais incertos dos últimos anos.



