Brasil rural ainda enfrenta déficits sanitário e hídrico
Desigualdade na infraestrutura rural marcou o ano de 2025 de domicílios que estão fora dos centros urbanos

As áreas rurais brasileiras ainda sofrem com ausência de rede de esgoto e água, situação que deflagra desafio de infraestrutura fora dos centros urbanos do Brasil. Segundo dados da pesquisa PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua, do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), apenas 8,9% dos domicílios rurais tinham escoamento do esgoto feito pela rede geral em 2025.
O levantamento foi divulgado na manhã desta sexta-feira (17) e evidenciam um desafio histórico de zonas mais afastadas no Brasil. A maioria dos moradores utiliza soluções individuais, como fossas rudimentares ou lançamento direto no solo/rios.
Entre 2019 e 2025, o acesso à rede coletora de esgoto avançou no país, mas ainda de forma desigual: a proporção de domicílios atendidos passou de 68,1% para 71,4%. No mesmo período, o percentual de moradias com banheiro de uso exclusivo subiu de 97,7% para 98,4%.
Quando a comparação do percentual é feita com domicílios que possuem ou não banheiro, o contraste entre cidade e campo é ainda mais evidente. Em 2025, nas áreas urbanas, 99,5% dos domicílios tinham banheiro exclusivo e 79,3% estavam ligados à rede geral de esgoto. Já no meio rural, embora 90,3% das casas contem com banheiro, apenas 8,9% têm o escoamento conectado à rede.
Acesso à água
No campo, acesso à água por rede ainda é restrito e evidencia atraso estrutural no saneamento, só cerca de 1 em cada 3 domicílios tem água por rede, apontou o IBGE, e escancara déficit estrutural no saneamento.
No total, a porcentagem de domicílios com rede geral de abastecimento de água foi maior em área urbana, com 93,1%, enquanto em área rural esse percentual foi de 31,7%.
Além disso, no meio rural, o padrão de abastecimento é distinto. Em 2025, o principal acesso à água vinha de poços profundos ou artesianos, presentes em 31,9% dos domicílios — levemente acima dos 31,7% atendidos pela rede geral.
Na sequência, apareciam os poços rasos, freáticos ou cacimbas, com 13,2%, seguidos por fontes ou nascentes, com 12,4%. Outras formas de abastecimento — como água de chuva armazenada em cisternas ou tanques, além de rios, açudes e caminhão-pipa — somavam 10,8%.
Por regiões, alguns destaques chamam a atenção. O acesso á energia elétrica na zona rural no Norte do país deflagra a desigualdade de infraestrutura e a precariedade básica de rincões nacionais. De acordo com a pesquisa, a área rural da Região Norte sem energia chegou a 84,9% ano passado.
As disparidades também se repetem entre regiões: enquanto o acesso à rede geral chega a 90,7% no Sudeste, os índices são de 71,6% no Sul, 66,9% no Centro-Oeste, 52,4% no Nordeste e apenas 30,6% no Norte.
