Iuri Pitta
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Iuri Pitta

Jornalista, mestre em administração pública e governo e professor universitário. Atuou como repórter, editor e analista em coberturas eleitorais desde 2000

Análise: Crise no STF é novo caminho para Caiado tentar quebrar polarização

Desafio para candidato do PSD é convencer eleitorado cansado do sistema político a ver alternativa em quem está há décadas na política

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Os diagnósticos dos principais problemas do Brasil feitos por Ronaldo Caiado, candidato do PSD e primeiro sabatinado pela CNN entre os presidenciáveis, estão em sintonia com o que institutos de pesquisas têm ouvido dos eleitores.

O desafio do ex-governador goiano, há décadas na política nacional, é conseguir se fazer ouvir não só em meio ao cenário polarizado, mas ao próprio desgaste do sistema político diante barulho provocado pelos escândalos que abalam Brasília em 2026.

Ao citar violência e corrupção como os males do país, Caiado encontra no primeiro o caminho para se apresentar como gestor bem avaliado de Goiás, após dois mandatos.

No segundo, o modo de atacar simultaneamente o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), de quem é adversário histórico, e o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, de quem tenta tirar o eleitorado antipetista.

Caiado foi enfático ao dizer que o ministro Alexandre de Moraes não teria mais condições de permanecer no STF (Supremo Tribunal Federal) após as revelações das mensagens no celular do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, periciadas pela Polícia Federal.

Ao mesmo tempo, cobra derrubada de sigilo de outras investigações sob responsabilidade do STF, como as que envolvem o filme do ex-presidente Jair Bolsonaro, Dark Horse.

O paralelo que Caiado fez na sabatina ao citar o governo Dilma Rousseff e a Operação Lava Jato, deflagrada em 2014, traz nas entrelinhas a crítica de que podem vir a público mais suspeitas que atinjam Flávio – se não agora, caso seja eleito em outubro.

Daí a frase de que a democracia poderia sofrer um golpe se não houver transparência da parte do STF e algo mais grave só vier a público após a disputa presidencial.

Mas o apelo parece insuficiente para despertar atenção do chamado eleitorado independente, que nas pesquisas desta semana demonstrou mais curiosidade em um estreante na política, como Augusto Cury (Avante), do que em quem já se apresentava como alternativa a Lula e Flávio Bolsonaro.

Depois de caso Master, fraudes no INSS e Dark Horse, o eleitor parece não só cansado da polarização, mas da política em geral.