Análise: rejeições de Lula e Flávio marcam presença entre púlpitos vazios
Caiado, Renan e Cury exploram ausência dos líderes com ataques aos líderes e predomínio de concordância entre os presentes

Era esperado que, sem a presença de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) no debate realizado na Band, os dois candidatos mais bem posicionados nas pesquisas fossem o alvo preferido dos presentes – Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). E a rejeição dos dois polos da disputa presidencial se fez a marca mais percebida por quem viu o programa na noite deste domingo (23).
A exemplo de outros presidentes que, ao disputarem a reeleição, desistiram de participar de debates na TV, Lula naturalmente foi o mais citado e atacado. As críticas concentraram-se em áreas sensíveis do governo, como segurança pública, educação e, principalmente, escândalos de corrupção, com as suspeitas de tráfico de influência praticadas pelo filho do presidente, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha.
Nesse quesito, o petista encontrou companhia do principal adversário da oposição. Como apontou Caiado, se Flávio deve explicações sobre o filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro que teria recebido recursos do ex-controlador do Banco Master Daniel Vorcaro, Lula agora tem o “Dark Lobby” para assombrar a campanha até 4 de outubro.
Mais próximo dos púlpitos vazios de Lula e Flávio, no centro do estúdio, Renan usou as expressões mais contundentes contra os dois líderes ausentes – fato notado por Cury, que demonstrou incômodo com a “agressividade” do concorrente. O estilo é marca histórica do fundador do MBL e renderá cortes para viralizar nas redes sociais.
Depois de desistir da desistência e entrar no estúdio, Augusto Cury abusou de expressões retiradas de seus livros e trabalhos de neurolinguística – difícil dizer se o linguajar afastaria ou impressionaria o eleitor leigo no assunto.
Ainda que sejam minoritários os eleitores dispostos a mudar o voto declarado em pesquisas, para os candidatos presentes o debate foi a oportunidade de se apresentar justamente a essa brasileira preocupada com a violência e a educação dos filhos, ao trabalhador que não consegue fazer o rendimento durar todo o mês, e vê o voto em outubro como o primeiro passo para mudar essa situação.
A incógnita da noite, que ficou sem ser decifrada, foi a ausência de Romeu Zema (Novo), notada apenas pelo púlpito vazio no canto direito da tela e citada apenas pelos mediadores do debate – que pouco trabalho tiveram, diante de um quórum aquém da importância do cargo em disputa.



