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    Iuri Pitta

    Iuri Pitta

    Jornalista, mestre em administração pública e governo e professor universitário. Atuou como repórter, editor e analista em coberturas eleitorais desde 2000

    Belo Horizonte quer romper histórico de sempre reeleger prefeitos, diz Atlas/CNN

    Predomínio de candidatos associados a Bolsonaro e Lula e má avaliação explicam dificuldades de Fuad Noman na pré-campanha

    Belo Horizonte quer romper histórico de sempre reeleger prefeitos, diz Atlas/CNN
    Belo Horizonte quer romper histórico de sempre reeleger prefeitos, diz Atlas/CNN

    De todas as pesquisas Atlas/CNN divulgadas até aqui, a de Belo Horizonte traz dois aspectos bem distintos das demais capitais.

    O primeiro é que, enquanto paulistanos, cariocas e curitibanos veem a criminalidade como problema que mais afeta a cidade, os belo-horizontinos apontam o transporte público (48,3%) e a saúde (45,7%) à frente da violência (40,2%).

    Dele deriva o segundo destaque: as dificuldades do prefeito Fuad Noman (PSD, na foto acima) de buscar a reeleição e ver os adversários distantes na pré-campanha.

    É um caso raro não só neste momento do ano eleitoral, mas no histórico brasileiro. Mais ainda na capital que sempre reelegeu prefeitos desde que o instituto passou a valer para os gestores municipais: Célio de Castro (PSB), em 2000; Fernando Pimentel (PT), em 2004; Márcio Lacerda (PSB), em 2012; e Alexandre Kalil (PSD), em 2020, de quem Noman herdou o cargo.

    Com o prefeito sem competitividade – pelo menos por ora, com a gestão reprovada por dois em cada três eleitores –, quem tem maior potencial de ocupar o espaço?

    Pelo levantamento Atlas/CNN, o deputado estadual Bruno Engler (PL), que já havia sido o mais votado na capital para a Assembleia Legislativa há dois anos, leva vantagem na disputa, impulsionado pelo vínculo desde a primeira hora com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), vencedor do primeiro e do segundo turnos de 2022, em Belo Horizonte, contra Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

    É um feito e tanto em uma capital que teve uma sequência de seis gestões comandadas por partidos de esquerda (PSB e PT), entre 1993 e 2016. A sequência foi rompida por Kalil, eleito como outsider, mas posteriormente apoiado por petistas na frustrada corrida ao governo estadual, em 2022.

    O campo da esquerda, por sinal, ainda vive um dilema: ter várias candidaturas e se unir no segundo turno, ou concentrar esforços desde já?

    Os dados da Atlas/CNN sugerem que os deputados federais Rogério Correia (PT) e Duda Salabert (PDT) competem por eleitorado semelhante: ela tira votos dele, e vice-versa. O contraponto é que, se hoje Engler surge como favorito, a pré-candidatura de outro deputado estadual, Mauro Tramonte (Republicanos), pode mudar esse cenário.

    A lista de cotados para a prefeitura do terceiro maior colégio eleitoral da disputa deste ano ainda parece inflada e deve afunilar mais até o início da campanha oficial. Mas o que os eleitores de Belo Horizonte indicam ter convicção é de que buscam um novo nome para chamar de prefeito.