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    Iuri Pitta

    Iuri Pitta

    Jornalista, mestre em administração pública e governo e professor universitário. Atuou como repórter, editor e analista em coberturas eleitorais desde 2000

    Curitiba reflete apoio à Lava Jato, ao bolsonarismo e à gestão Greca, indica Atlas/CNN

    Sem espaço para a polarização nacional, capital paranaense tende a ver confluência entre continuidade de governo e reforço do conservadorismo

    Curitiba reflete apoio à Lava Jato, ao bolsonarismo e à gestão Greca, indica Atlas/CNN
    Curitiba reflete apoio à Lava Jato, ao bolsonarismo e à gestão Greca, indica Atlas/CNN

    Há pouco menos de seis meses para as eleições municipais, Curitiba espera não só a definição do cenário para a disputa pela prefeitura, mas os impactos de uma eventual cassação do senador Sergio Moro (União-PR) – a começar pelo fato de que alguns dos pré-candidatos na capital paranaense também querem concorrer ao mandato no Senado, se a cadeira ficar vaga por decisão da Justiça Eleitoral.

    Faz sentido que, dez anos depois, a Operação Lava Jato ainda mobilize parte do eleitorado da cidade que batizou a então chamada “República de Curitiba”, em alusão à jurisdição de Moro, enquanto juiz federal, e ao local de atuação do ex-procurador e ex-deputado Deltan Dallagnol (Novo), que desponta entre os mais bem colocados em dois dos três cenários testados pela pesquisa Atlas/CNN.

    Com Dallagnol ameaçado por uma possível inelegibilidade, vale olhar com atenção o cenário simulado sem o nome do ex-deputado. Confrontam-se aí duas outras forças: a continuidade da bem-avaliada gestão do prefeito Rafael Greca (PSD), representada pelo vice-prefeito Eduardo Pimentel (PSD), e a influência do bolsonarismo, simbolizado pelo ex-deputado Paulo Martins (PL).

    A questão é que Martins ficou em segundo lugar na disputa pelo Senado de 2022, apoiado pelo governador Ratinho Júnior (PSD), e já colocou seu nome para uma eventual eleição suplementar para o caso de Moro ser cassado. Daí a importância de quando serão julgados os recursos de PL e da federação PT-PCdoB-PV contra a absolvição do senador.

    No levantamento Atlas/CNN, os curitibanos indicam ampla aprovação de Greca e Ratinho, ambos também no topo dos políticos com maior saldo de imagem positiva – 34 pontos percentuais e 38 pontos percentuais, respectivamente. Na capital paranaense, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) preserva força e também tem saldo positivo, ainda que mais modesto (8 pontos percentuais).

    Nesse contexto, não há espaço para avanço de candidatos ligados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva (saldo negativo de 41 pontos de imagem, atrás apenas dos deputados Zeca Dirceu, do PT, e Beto Richa, do PSDB) ou ao campo da esquerda – o também deputado Luciano Ducci (PSB), ex-prefeito da cidade apoiado pela presidente nacional do PT, Gleisi Hoffmann, tem perdido espaço nas pesquisas.

    Com apoio tanto de um prefeito quanto de um governador bem-avaliados, ambos reeleitos, Pimentel naturalmente agrega alta competitividade. Se o PSD conseguir um acordo político e contar com o PL de Bolsonaro na coligação, e Dallagnol de fato não puder disputar eleições, o vice-prefeito teria plenas condições de deixar para trás o prefixo do atual cargo.