Datafolha: Lula 3 repete avaliação de Bolsonaro em reta final de campanha
Índice de ruim/péssimo acima de 40% e saldo negativo em relação ao ótimo/bom são entraves para reeleição; em 2022, ex-presidente também registrava déficit
Na reta final da campanha à reeleição, a avaliação do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) tem cenário bastante semelhante ao registrado no mesmo período de 2022 pelo então mandatário, Jair Bolsonaro (PL), conforme dados da série histórica do Datafolha.
Os percentuais de ruim/péssimo acima de 40% e o consequente saldo negativo em relação ao índice de ótimo/bom, abaixo de 35%, se repetem em 2026.
Pela última rodada do Datafolha, divulgada no dia 17 de setembro e concluída 17 dias antes do primeiro turno, o governo Lula é ruim ou péssimo para 42% dos eleitores, ante 34% de avaliação ótima ou boa e 23% regular. O saldo da avaliação fica em 8 pontos negativos.
São números muito próximos do registrado pelo instituto em relação a Bolsonaro na campanha à reeleição de quatro anos atrás – foi a primeira vez que um presidente não conseguiu renovar o mandato desde que a Constituição permitiu essa possibilidade, a partir de 1998.
A 17 dias do primeiro turno de 2022, o governo do ex-presidente era visto como ruim ou péssimo por 44% do eleitorado, contra 30% de ótimo/bom e 25% regular – a diferença entre a avaliação positiva e a negativa é de 14 pontos negativos.
Curvas convergentes e retas paralelas
A série histórica do Datafolha registra essas semelhanças, mas uma diferença relevante na trajetória dos dois governos no último ano de mandato.
Bolsonaro havia terminado 2021 com o pior saldo do mandato (-31 pontos), mas vinha em trajetória de recuperação ao longo de 2022: a avaliação negativa caiu de 53% em dezembro de 2021 para 44% no fim de setembro, e a positiva subiu 9 pontos no mesmo período.
Foi o suficiente para devolver competitividade ao então presidente, mas não para renovar o mandato. Bolsonaro foi derrotado por Lula pela menor diferença de votos de uma eleição presidencial no Brasil.
No atual mandato, o petista vive uma trajetória dividida em duas partes. No primeiro biênio, o presidente sempre registrou saldo positivo na comparação entre a avaliação positiva e negativa, mas passou a ter déficit no início de 2025 e não voltou a ter percentuais de ótimo/bom superiores aos de ruim/péssimo desde então. Em vez de convergência entre as curvas ao longo do tempo, como ocorreu com Bolsonaro, o gráfico de Lula mostra linhas praticamente paralelas em 2026.
O muro da avaliação negativa
Os cenários registrados pelo Datafolha também mostram entraves à reeleição vividos por Bolsonaro e Lula 3 muito distintos dos vistos nas outras campanhas por um segundo mandato presidencial neste século.
Em 2014, a então presidente Dilma Rousseff (PT) conseguiu renovar o mandato na até então mais acirrada disputa pelo Palácio do Planalto, apesar do baque na popularidade do governo após as manifestações de junho de 2013 que se espalharam pelo país. A 17 dias do primeiro turno daquela disputa, a petista tinha o índice de ótimo/bom 13 pontos mais alto que o de ruim/péssimo, que marcava 24%.
Mesmo tendo uma avaliação positiva abaixo de 40% (eram 37%, segundo o Datafolha concluído em 18 de setembro de 2014) como Lula 3 e Bolsonaro, Dilma tinha um muro menos desafiador de percepção negativa que o atual presidente enfrenta hoje e que o ex-mandatário encarou há quatro anos.
Além disso, com um contingente de 38% que davam avaliação regular à gestão, a petista tinha mais espaço para buscar eleitores tanto no primeiro quanto no segundo turno, do qual saiu vencedor contra Aécio Neves (PSDB).
A comparação fica ainda mais marcante quando se olham os números de Lula a 19 dias da campanha à reeleição de 2006, da qual saiu vitorioso.
Mesmo após o escândalo do mensalão, no ano anterior, os frutos do bom momento econômico do país ajudaram o petista a recuperar a avaliação positiva do governo e chegar na reta final de setembro com 28 pontos positivos de saldo: o ótimo/bom somava 46%, ante 18% de ruim/péssimo e 35% de regular.
Antes do petista, em 1998, Fernando Henrique Cardoso (PSDB) foi o primeiro presidente brasileiro a se reeleger para um segundo mandato consecutivo.
Mesmo tendo perdido 5 pontos na avaliação positiva entre o início de setembro e rodada concluída no dia 18, a 16 dias da votação, o tucano manteve 23 pontos de saldo positivo, com 41% de ótimo/bom, 18% de ruim/péssimo e 38% de regular. FHC foi reeleito em primeiro turno.



