Datrix: Flávio herda força de Bolsonaro e Lula consolida imagem nas redes
Ranking digital mostra senador à frente desde lançamento de pré-candidatura; presidente tem recuperação desde maio, mas começa 2026 sob risco com pautas como Venezuela

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) terminou 2025 e começa a primeira metade de janeiro de 2026 à frente do Índice Datrix de Presidenciáveis (IDP), ranking mensal que mede a performance digital dos pré-candidatos ao Palácio do Planalto. O levantamento também mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) consolidou a recuperação de imagem nas redes iniciada em maio, mas inicia o ano eleitoral sob pressão de pautas que o desgastam, como a Venezuela.
O CEO da Datrix, João Paulo Castro, faz uma primeira explicação de que os dados desta época do ano — Natal, réveillon e férias escolares — precisam ser analisados com cautela.
“O debate político perde espaço para outras pautas, as pessoas estão engajadas mais com outros assuntos do que com a corrida presidencial, o que reduz o número de menções e diminui a distância entre quem costuma ter grande volume e menor volume de citações”, explica Castro.
Dito isso, o CEO da Datrix destaca o quanto o lançamento da pré-candidatura tornou Flávio Bolsonaro não só a referência mais citada no campo da oposição, mas fez o senador assumir protagonismo em outras pautas, como a ação dos Estados Unidos que levou à captura e queda do ditador Nicolás Maduro na Venezuela.
Esse tema, por sinal, foi o principal a mobilizar os conteúdos políticos envolvendo os pré-candidatos ao Planalto, e com maior viés negativo para Lula, pela associação da esquerda brasileira ao regime chavista.
“Lula continua crescendo nas redes próprias, mas tem um fator de risco com pautas externas como a Venezuela. A oposição e, em especial, Flávio, tiraram proveito da situação”, afirma Castro.
De certa forma, esse efeito é análogo, com sinal oposto, ao que ocorreu no segundo semestre do ano passado, quando Lula surfou a onda após o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, aos produtos exportados pelo Brasil aos EUA.
Na ocasião, foi o petista quem avançou nas redes próprias e no chamado mar aberto – quando o pré-candidato é citado por outros agentes políticos e formadores de opinião – e a família Bolsonaro foi quem mais perdeu performance digital.
Governadores
João Paulo Castro observa ainda que os governadores da direita têm aproveitado a indefinição de um nome único da oposição para enfrentar Lula e conseguido emplacar estratégias digitais bem-sucedidas.
O chefe do governo de Goiás, Ronaldo Caiado (União), aproveitou o que o CEO da Datrix chama de vácuo deixado por outros nomes, como Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP) e Ratinho Jr. (PSD-PR), para avançar casas no ranking.
“O desafio para ele é manter essa performance quando o debate eleitoral ficar mais aquecido, nos próximos meses”, afirma Castro. O mesmo vale para o governador de Minas Gerais, Romeu Zema (Novo-MG).
“Esses dados mostram que o engajamento de base é importante, mas não suficiente para sustentar posições no ranking, e a tendência é de que o chamado mar aberto vai ter influência mais decisiva nos próximos meses”, diz o CEO da Datrix.
Metodologia
Desde janeiro de 2025, o IDP mede a performance digital dos presidenciáveis por meio das seguintes dimensões: engajamento de base nas redes dos próprios pré-candidatos; menções de influenciadores, jornalistas, veículos de imprensa e outros políticos; classificação dos conteúdos em positivos, neutros ou negativos; interesse ativo do público em buscas do Google e plataformas sociais. O índice pode variar de -100 (pior desempenho possível) a 100 (melhor performance possível).



