Iuri Pitta
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Iuri Pitta

Jornalista, mestre em administração pública e governo e professor universitário. Atuou como repórter, editor e analista em coberturas eleitorais desde 2000

Análise: Senado deixa Câmara sozinha ao rejeitar PEC da Blindagem

Rejeição unânime é reflexo de forte reação à proposta; pesquisa Pulso Brasil/Ipespe aponta para 72% do eleitorado contrário à medida e 22% de apoio

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Tão repentina quanto a aprovação da PEC da Blindagem na Câmara, na semana passada, foi a rejeição unânime da proposta pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado nesta quarta-feira (24), enterrando a medida patrocinada por deputados do Centrão com apoio de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e de uma ala dita “pragmática” da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Números da pesquisa Pulso Brasil/Ipespe corroboram a impressão deixada pelas manifestações do fim de semana, em que a esquerda aproveitou o deslize da direita para ir além da bolha e convocar parte do eleitorado do centro, que não iria para as ruas sem um mote tão forte quanto rejeitar a blindagem aos políticos.

De acordo com o levantamento, 72% dos brasileiros são contrários à PEC da Blindagem, ante 22% de apoiadores e 6% de indecisos ou entrevistados que não responderam. Em nenhum recorte demográfico ou ideológico a medida encontra apoio maior que a rejeição - entre eleitores de Bolsonaro, o placar é de 52% a 38% contra a proposta.

Praticamente um ano das eleições, nas quais dois terços das cadeiras estarão em disputa, o Senado acabou por deixar a Câmara remar sozinha contra a maré da opinião pública, ainda que houvesse entre os senadores potenciais beneficiários da aprovação da PEC.

Entre o tortuoso discurso de que se trataria de defender as prerrogativas parlamentares diante de um Supremo Tribunal Federal (STF) atrofiado e um fácil atalho para demonstrar alguma conexão com a opinião pública, o Senado presidido por Davi Alcolumbre (União-AP) tinha caminho livre para deixar o ônus restrito à Câmara comandada por Hugo Motta (Republicanos-PB).

Ao assumir a presidência da Casa, Hugo fez mais de uma citação a Ulysses Guimarães, cujo nome batiza o plenário onde foi aprovada a PEC da Blindagem. Atribui-se ao deputado paulista uma máxima segundo a qual o Congresso é bicameral – ou seja, tem duas Casas, a Câmara e o Senado -, mas a política é uma só. Sem articulação conjunta, nem propostas populares tem aprovação garantida. Que dirá as impopulares.