Denúncia no TCU coloca leilão do Aeroporto de Brasília em risco
Disputa marcada para 17 de dezembro é alvo de questionamento sobre transparência; impasse envolve acesso a contratos comerciais da Inframerica

Uma representação apresentada ao TCU (Tribunal de Contas da União) por empresas interessadas na concessão do Aeroporto de Brasília questiona a transparência do processo e pode gerar insegurança jurídica para o leilão, previsto para 17 de dezembro. A área técnica da Corte analisa o caso.
O principal questionamento envolve o acesso aos contratos comerciais firmados pela Inframerica, atual concessionária do aeroporto, segundo apurou a CNN. Uma das empresas interessadas na disputa pediu acesso aos documentos sob o argumento de que cerca de 60% da receita do terminal tem origem em atividades acessórias, como as receitas comerciais.
Inicialmente, a Inframerica resistiu à disponibilização dos contratos, alegando que os documentos são sigilosos. Segundo fontes envolvidas no processo ouvidas pela reportagem, porém, houve uma conversa interna e uma sinalização de que a concessionária deverá fornecer as informações aos interessados, o que ainda não aconteceu.
A avaliação é que esses contratos são relevantes para a precificação do ativo e, portanto, para que os possíveis concorrentes possam dimensionar o valor econômico da concessão. Com a apresentação dos documentos, a representação poderá perder o objeto, já que a principal demanda das empresas seria atendida.
Enquanto isso não ocorre, o questionamento segue em análise sigilosa pela área técnica do TCU. Porém, mesmo sem uma decisão do plenário da Corte, o leilão pode ser realizado. O risco, nesse cenário, é que uma eventual decisão posterior do tribunal leve à anulação do certame, o que poderia comprometer a segurança jurídica da disputa.
Questionamentos
O processo de concessão já vinha enfrentando ressalvas de agentes do mercado. Em maio, a CNN mostrou que empresas avaliavam com preocupação as condições do contrato, principalmente o prazo de concessão, previsto até 2037 - considerado curto -, e a obrigação de assumir outros dez aeroportos regionais no Centro-Oeste.
O governo realizou dois roadshows para apresentar o projeto a investidores: um em abril e outro em outubro. Fontes ouvidas pela reportagem apontam que há, neste momento, dois grupos com interesse efetivo em participar do leilão.
A concessão prevê investimentos de cerca de R$ 1,2 bilhão, a construção de um novo terminal internacional, um edifício-garagem e uma nova via de acesso ao aeroporto, além da aquisição de equipamentos de segurança e inspeção de passageiros e bagagens.
A Inframerica, empresa responsável pelo Aeroporto de Brasília, foi procurada pela reportagem porém não quis se manifestar.



