Jenifer Ribeiro
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Jenifer Ribeiro

Jornalista especializada em infraestrutura de transportes, com MBA pelo Ibmec. É movida por transformar temas complexos em histórias acessíveis

Exportações batem recorde, mas Brasil e UE ainda esperam ampliar comércio

Após alta de 23,5% nas exportações, especialistas veem espaço para ampliar comércio e diversificar produtos entre os dois mercados

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Cinco meses após a entrada em vigor provisória do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, o comércio entre Brasil e bloco europeu já registra resultados recordes, mas diplomatas e especialistas avaliam que a relação comercial ainda está no início de uma nova fase. 

A expectativa é de que o acordo, firmado após mais de duas décadas de negociações, abra espaço para o crescimento tanto das exportações brasileiras quanto da entrada de produtos europeus no país pelos portos brasileiros.

Entre maio e agosto, as exportações brasileiras para a União Europeia somaram US$ 20,4 bilhões, alta de 23,5% na comparação com o mesmo período de 2025. O avanço ficou acima do crescimento das exportações totais brasileiras no período. 

Já as importações de produtos europeus chegaram a US$ 18,5 bilhões, aumento de 6,2%. Com isso, o Brasil registrou superávit de US$ 1,9 bilhão no comércio com o bloco.

O desempenho aparece também em produtos específicos. Entre maio e agosto, 42 grupos de produtos registraram recorde de exportação para a União Europeia. Entre os itens que tiveram forte crescimento estão abacate, café torrado, maçã, açúcar, manga, algodão, óleo de milho bruto e soja. Parte desses produtos passou a contar com redução ou eliminação de tarifas com a entrada em vigor do acordo.

Segundo diplomatas e especialistas em comércio exterior ouvidos pela CNN, no entanto, ainda é cedo para atribuir todo o avanço exclusivamente ao acordo. O cenário internacional também influencia o resultado, especialmente diante das barreiras comerciais adotadas pelos Estados Unidos e da reorganização dos fluxos de comércio para China e Europa. A busca por novos mercados e fornecedores pode ter contribuído para ampliar as compras europeias de produtos brasileiros.

A expectativa é que, com a implementação gradual das regras, empresas dos dois lados passem a explorar oportunidades que ainda não eram utilizadas. Atualmente, empresas brasileiras e europeias passam por conversas bilaterais com esse objetivo.

Além do aumento das exportações brasileiras, o acordo reduz tarifas para produtos europeus vendidos ao Mercosul, o que pode ampliar a presença de máquinas, equipamentos, veículos, medicamentos e outros bens no mercado brasileiro.

O acordo comercial entrou em vigor provisoriamente em 1º de maio, após 26 anos de negociações. A aplicação definitiva ainda depende da conclusão dos procedimentos de ratificação previstos para o tratado. Para o governo brasileiro, a União Europeia é o segundo principal parceiro comercial do país: em 2025, a corrente de comércio de bens entre os dois mercados chegou a US$ 100 bilhões.