Frete marítimo dispara e provoca mudança de rotas de cargas no Brasil
Alta do combustível e mudanças nas rotas internacionais elevam custos, provocam deslocamento de cargas e reduzem previsibilidade das escalas

A alta do frete marítimo nos últimos meses já provoca mudanças nas rotas utilizadas por cargas brasileiras e aumenta os custos da cadeia logística, segundo relatos de operadores portuários ouvidos pela CNN.
No segmento de contêineres, o frete internacional chegou a registrar aumento de quase 300% nos últimos cinco meses, em um cenário marcado por conflitos geopolíticos, aumento do preço do combustível marítimo e alterações nas rotas.
Segundo Jesualdo Silva, presidente da ABTP (Associação Brasileira dos Terminais Portuários), empresas de diferentes segmentos relatam deslocamento de cargas entre portos para tentar reduzir os impactos do aumento dos fretes.
Parte das empresas, segundo Jesualdo, tem absorvido a alta nos custos. Além desse efeito, operadores também apontam redução da previsibilidade das rotas, com atrasos e concentração de navios em determinados períodos.
O aumento do preço do petróleo afetou o valor do bunker, combustível utilizado pelos navios, é apontado como um dos principais fatores de pressão. As mudanças de rota provocadas pelo cenário geopolítico também tornam os trajetos mais longos e podem reduzir a velocidade das operações. Segundo a ABTP, mais de 700 linhas marítimas foram afetadas pelo cenário atual.
O resultado é uma menor confiabilidade das escalas, de acordo com Jesualdo. Ele explicou que períodos de atraso podem fazer com que navios que deveriam chegar em intervalos regulares acabem concentrados em um mesmo momento, provocando períodos de ociosidade seguidos de filas de embarcações aguardando para atracar.
Os efeitos, segundo ele, vêm sendo percebidos de forma mais intensa nos últimos quatro meses.
Além disso, o presidente afirmou que a situação se agravou com o aumento dos custos do frete rodoviário, que também foi responsável pelo deslocamento de parte da carga para o Arco Norte.
Pressão no setor
Para Caio Morel, Diretor executivo da Abratec (Associação Brasileira dos Terminais de Contêineres), com a alta no valor do frete e os efeitos na cadeia logística, há um reforço na necessidade de investimentos em expansão de capacidade, equipamentos e acessos aquaviários e terrestres.
Ele explicou, porém, que a disparada no preço do frete ainda não afetou o volume movimentado pelos terminais associados: no acumulado de 2026, a movimentação de contêineres registra crescimento de cerca de 5% em relação ao mesmo período do ano passado.



