Ford vive da força da Ranger em um mercado cada vez mais disputado
Montadora quer ampliar esse espaço com novos importados em 2027

Em um mercado brasileiro em que as montadoras disputam espaço com portfólios cada vez mais amplos, a Ford segue um caminho diferente. A marca praticamente sustenta sua operação nacional com um número reduzido de produtos. O movimento está praticamente focado na picape Ranger, que se tornou o braço forte da fabricante.
Antes de deixar o posto de vice-presidente da empresa no país, Rogélio Goldfarb, hoje sócio-proprietário da Zag Work Automotive Consulting, contava que o volume de oportunidades para a montadora seria bem distribuído no Brasil. “Olhe para tudo o que você vê da Ford lá fora que poderemos estudar e ter por aqui.”
Mas o que de fato chegou da gringa? Mustang, Mach-E, F-150, Bronco Sport, Maverick, a Transit (na linha de comerciais) e o bem-sucedido SUV Territory, vindo da China. Mas a marca tem espaço para mais. Basta interpretar a divisão de engenharia, que ficou na Bahia, com mais de 1.500 profissionais envolvidos no desenvolvimento de carros globais.
Mas, enquanto os novos estrangeiros não aparecem, o foco continuará, por um bom tempo, direcionado para a Ranger e suas versões. Diante do que é produzido a partir da planta de General Pacheco, na Argentina, os números ajudam a explicar esse cenário.
Dados da fabricante mostram que, no primeiro semestre de 2026, a picape acumulou 16.973 emplacamentos, respondendo por cerca de 62% de todas as vendas da Ford no período (27.342 unidades).
A picape Ranger elevou sua participação para 23,4% no segmento das médias, consolidando-se como vice-líder e reduzindo a distância para a Toyota Hilux (23.363). E veja que o segmento passa pela renovação dos modelos e pela chegada de outros, como a RAM Dakota e a Poer, da GWM. Mas a lista é grande: Mitsubishi Triton, Fiat Titano, S10, BYD Shark e o retorno da Frontier. Sem contar os modelos mais completos da Fiat Toro e da RAM Rampage.

A Ford encontrou o caminho para se manter na reta que poderá levá-la ao posto de primeiro lugar e, por isso, expandiu recentemente sua gama de versões, que hoje atende desde clientes comerciais, com a cabine simples e o chassi-cabine, até consumidores que buscam uma picape premium.
O utilitário de caçamba oferece motores turbodiesel 2.0 e V6 3.0, alto nível tecnológico, câmbio de 10 marchas, pacote avançado de segurança e uma dirigibilidade que passou a ser referência entre as médias. Sem contar a suspensão mais equilibrada.
A Ranger ainda se dá ao direito de ter a Raptor, com 397 cv e motor 3.0 V6, como a mais desejada do segmento. Única que reúne a esportividade de um carro como o Mustang e a suavidade bruta de um produto com assinatura de competição.




