Frota antiga aumenta dificuldade de acesso a peças de reposição no Brasil
No país, já são 68 milhões de veículos em circulação; Sindirepa diz que os automóveis leves têm idade média de 12 anos

Quem tem um carro mais antigo provavelmente já precisou fazer um reparo e descobriu que a peça não estava disponível ou que seria preciso procurar em vários lugares até encontrá-la. E saiba que isso também vem acontecendo com frequência entre os carros novos nas próprias concessionárias.
O Brasil já tem mais de 68 milhões de veículos em circulação, entre carros, utilitários, caminhões, ônibus e motos. E boa parte deles está longe de ser nova.
O Anuário da Indústria da Reparação de Veículos do Brasil 2025/2026, do Sindirepa Brasil, mostra isso. Os veículos leves têm idade média de 12 anos; os pesados chegam a 13, enquanto os ônibus chegam a 17 anos.
Isso significa que mais carros entram nas oficinas e mais peças precisam ser substituídas. Itens como filtros, freios, componentes de suspensão e fluidos fazem parte da manutenção clássica e não faltam, mas, para os veículos mais antigos, a história pode ser outra e exigir componentes que não têm uma procura tão frequente.
E aí surge um dos maiores desafios para o setor, que é manter essas peças disponíveis. Oficinas, funilarias e lojas de autopeças muitas vezes precisam consultar diferentes fornecedores para conseguir encontrar tudo o que precisam para um reparo. Além de tomar tempo, isso pode deixar o serviço mais caro e fazer o carro ficar parado por mais tempo.
Antonio Fiola, presidente do Sindirepa-SP, afirmou à CNN Brasil que o envelhecimento da frota não é o principal responsável pela dificuldade de encontrar peças. Segundo ele, o maior desafio está na diversidade de marcas e modelos, especialmente veículos importados com poucas unidades em circulação ou cuja produção foi descontinuada. No geral, o mercado de reposição está preparado para atender à demanda, com mais de 117 mil oficinas apoiadas por fabricantes, distribuidores e varejistas.
Para Fiola, o problema mais grave é a falta de manutenção dos veículos antigos, já que muitos proprietários não conseguem arcar com revisões completas e realizam apenas reparos emergenciais. Ele defende a criação de um programa nacional de renovação da frota e a adoção de inspeções veiculares obrigatórias, incluindo itens de segurança, para melhorar as condições dos veículos e ajudar a reduzir acidentes.
Por outro lado, Heber Carvalho, presidente do Sincopeças-SP, disse que não é de hoje que o setor de autopeças sofre com essa situação de desabastecimento do mercado. A frota está envelhecendo, o número de veículos usados aumentou muito e os itens acabam faltando.
O executivo ainda contextualiza que os fabricantes diminuíram os volumes de produção e que, apesar das dificuldades de abastecimento, o comércio varejista tem conseguido atender à demanda, fortalecido por sua capilaridade e presença em todo o território nacional.
As empresas estão ampliando seus canais de fornecimento de peças para o mercado de reposição. De acordo com a Autoglass, especializada no segmento de reparação, a composição do estoque considera dados de demanda, o perfil dos veículos de cada região e a frequência de problemas conforme o modelo e o ano do carro.
Já para George Rugitsky, diretor de economia e mercados da Abipeças, Sindipeças, o envelhecimento da frota aumenta a demanda por manutenção e peças, mas também amplia os desafios de oferta e distribuição. Segundo ele, o setor precisa investir em tecnologia, informação e eficiência para garantir componentes de qualidade e segurança em todo o país.
As entidades acreditam que o desenvolvimento de mercado de reposição passa justamente pela capacidade da indústria de acompanhar a evolução da frota brasileira, ampliar a oferta de peças e investir em tecnologia, informação e eficiência, ao longo de toda a cadeia.
Entre os componentes estão faróis, lanternas, para-choques, retrovisores, peças de lataria, itens da linha térmica, acessórios e ferramentas para os mais antigos. Quase um carro completo.



