Jorge Moraes
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Jorge Moraes

Jornalista, creator, premiado como um dos mais admirados do setor automotivo do país, atua no segmento desde 1995 e está presente nos principais salões nacionais e internacionais

Geely precisa assumir a marca de luxo Zeekr no Brasil

Fabricante premium de veículos elétricos já cresce em ritmo acelerado na China e na Europa

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A presença da Zeekr no Brasil ainda não reflete o tamanho global da marca — e isso começa a preocupar analistas do setor. Controlada pelo grupo Geely, a fabricante premium de veículos elétricos cresce em ritmo acelerado na China e na Europa, mas, no mercado brasileiro, segue operando por meio de importadores independentes. Esse modelo pode limitar sua consolidação no país e gerar desgaste de imagem.

Criada em 2021, a Zeekr, que no ano passado vendeu 225 mil carros, nasceu como o braço elétrico de luxo da Geely, posicionando-se acima de marcas como Volvo e Polestar. Em 2024, a novata chinesa ultrapassou a marca de 100 mil unidades entregues no ano, impulsionada pelo desempenho de modelos como o Zeekr 001 e o Zeekr 009.

Na Europa, a expansão internacional inclui mercados como Suécia, Holanda e Alemanha, sempre com controle direto da distribuição, da experiência e do pós-venda. Enquanto no Brasil, a estratégia é outra.

Hoje, a Zeekr atua no país por meio de parceiros importadores que, em 2025, venderam apenas 571 veículos. O formato pelos representantes permite uma entrada mais rápida, porém traz limitações em lançamentos, comunicação e estratégia de marketing.

O Zeekr X, feito sobre uma variação alongada da plataforma usada pelo Volvo EX30, é o produto mais acessível no país, entre R$ 280 e R$ 300 mil. E cobrar esse valor por um elétrico de uma marca que ainda não entrega ao cliente uma percepção clara de futuro é o desafio — mesmo com o portfólio complementado pelos elogiados Zeekr 007 e Zeekr 001.

Necessidade de se comunicar melhor

A Geely precisa dizer ao mercado brasileiro que é dona da Lotus, da Volvo e da própria Zeekr. Eles até já escalaram um CEO para mudar tudo. Mas vamos ver como isso pretende ser feito. A Volvo, já consolidada, representa segurança no segmento premium. A coirmã chinesa precisa do olhar da matriz para tentar reproduzir, no Brasil, parte do sucesso obtido na China, no mercado de luxo.

Concorrência?

Os concorrentes chineses nesse segmento começam a trabalhar melhor seus produtos no Brasil. BYD com o Atto 8, GWM com o Wey 07 e Denza B5 são exemplos de marcas com presença direta e estratégia mais estruturada.

Durante visita à fábrica em Ningbo, província de Zhejiang (leste do país), com capacidade para 300 mil unidades e superrobotizada, observei o nível de investimento da empresa, a aplicação da plataforma elétrica SEA, o alto padrão de produção, arquitetura 800 V e até a forma como a cadeia produtiva valoriza a grife.

Vinda da Lynk & Co sinaliza futuro

A China deu o primeiro passo, contratando Diego Borghi como CEO para liderar as operações no Brasil, reportando-se diretamente à matriz. Mas será necessário replicar o modelo adotado na Europa, transformando o país em um hub de multiplicação dos produtos; pode ser uma saída rápida. Isso ganha ainda mais importância porque outra marca do grupo Geely, a Lynk & Co, está a caminho do país com seus modelos híbridos.

A previsão é que a Lynk & Co seja lançada em 2027, com o 08, o primeiro SUV a chegar. A L&C será posicionada abaixo da Zeekr, que seguirá como a divisão de luxo elétrico do grupo Geely.

*Jorge Moraes viajou a convite da Geely ao Salão do Automóvel Internacional do Automóvel de Pequim