Lat.Bus mostra avanço da eletrificação nos ônibus brasileiros
Modelos de praticamente todas as marcas são apresentados no São Paulo Expo
A Lat.Bus abriu as portas para a mobilidade coletiva eletrificada no São Paulo Expo e mostrou a nova fase da indústria brasileira de ônibus. Ainda que os modelos elétricos representem cerca de 5% do mercado total, o segmento avança e começa a ganhar mais relevância entre os fabricantes, operadores e cidades.
A evolução não acontece apenas pela chegada de novos veículos, mas pelo desenvolvimento de baterias, maiores autonomias, sistemas de recarga e recursos tecnológicos com soluções voltadas à redução das emissões no transporte urbano.
A indústria brasileira, forte na produção de chassis e carrocerias, tenta aproveitar essa transformação, mantendo boa parte da cadeia produtiva instalada no país.
Durante o evento, que termina nesta quinta-feira (13), o presidente da Anfavea, Igor Calvet, conversou com a CNN Brasil e destacou a produção de 1,2 milhão de chassis já feitos no país, com cerca de 900 mil emplacamentos.
O executivo também tratou do tema da eletrificação, que chegou ao setor. “As novas tecnologias dos elétricos chegaram ao novo mercado, que representa algo em torno de 5% da nossa fabricação de ônibus”.
Ao contrário dos carros, para 2026, segundo a Anfavea, o setor terá 6% menos emplacamentos e uma fabricação 11% menor. Uma redução do setor que emplacou 28,8 mil ônibus em 2025.
A projeção atual da Fenabrave revela uma leve diferença em relação ao que diz a Anfavea e aponta para cerca de 26,2 mil unidades em 2026, retração de 9,2%.
O mercado total, de fato, deve cair, enquanto a eletrificação avança. No primeiro semestre de 2026, foram vendidos 589 ônibus eletrificados, alta de 89,4% frente aos 311 do mesmo período do ano passado.
Em movimento
A presença chinesa começa a despontar nesse setor e 50% dos ônibus elétricos emplacados em maio, por exemplo, foram de uma única montadora. Mas Igor Calvet afirma que a indústria nacional está em um movimento controlado, porque os fabricantes conseguem produzir e a tecnologia já está presente.
Na feira, é fácil enxergar os exemplos de modelos desenvolvidos por Marcopolo, Eletra, Caio e Iveco em seus ônibus urbanos e outros voltados para o transporte de trabalhadores.
A Volkswagen Caminhões apresentou um chassi elétrico pronto para ser encaroçado, com baterias que permitem autonomia de 250 km e 350 km, dependendo da versão. Elas podem ser carregadas com duas tomadas para reduzir o tempo de carga dos 80% em pouco mais de 20 minutos.
O pack de energia foi desenvolvido pela pernambucana Moura e pela chinesa CATL, uma das maiores do mundo no segmento.
Nos ônibus, a eletrificação surge como uma das principais apostas para os próximos anos, mesmo que isso leve cerca de cinco a dez anos, disse o presidente da Volkswagen Caminhões, Antônio Roberto Cortes.
Mesmo sabendo que a participação ainda é pequena diante da frota tradicional movida a diesel, biodiesel e biometano, o crescimento das encomendas e dos projetos de renovação de frotas municipais indica uma mudança gradual no cenário a favor dos elétricos.



