Julliana Lopes
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Julliana Lopes

Foi repórter no SBT e na CNN em Brasília. Agora em SP, Julliana trouxe na bagagem vasta experiência em coberturas no Congresso e no governo federal

Ala do governo defende mulher negra no STF para pressionar Senado

Leitura interna é de que gesto elevaria custo político de resistência à indicação

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Uma ala do governo passou a defender que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva indique uma mulher negra para a próxima vaga no STF (Supremo Tribunal Federal), em uma estratégia que busca aumentar a pressão sobre o Senado e, em especial, sobre o presidente da Casa, Davi Alcolumbre, após a derrota de Jorge Messias.

A avaliação nos bastidores é de que a movimentação recoloca o debate da representatividade na Corte em um patamar político mais sensível, elevando o custo de uma eventual resistência à indicação.

Mais cedo, a deputada Gleisi Hoffmann (PT-PR) disse que a rejeição de Messias no Senado abria espaço para retomar a hipótese de o presidente indicar uma mulher para o STF. "Essa é uma oportunidade pra gente fazer esse debate, essa discussão [de indicar uma mulher ao Supremo]", afirmou.

A pressão ganha força mesmo diante de sinais de Lula de que pretende deixar a decisão para depois das eleições de 2026. No Senado, o próprio Alcolumbre já sinaliza que a análise de um novo nome deve ficar para depois, evitando ampliar tensões em um cenário pré-eleitoral.

Entre os nomes que voltaram a circular está o da procuradora federal Manuellita Hermes Rosa Oliveira Filha, da AGU (Advocacia-Geral da União).

Baiana e integrante da AGU desde 2007, Manuellita tem atuação em Direito Constitucional e já exerceu funções técnicas no próprio STF. O nome dela já havia sido citado em outros momentos de debate sobre diversidade na Corte.

Para a ala política do Planalto, a leitura é de que, após a rejeição de Messias, um perfil com maior aceitação social poderia reduzir resistências no Senado.