Análise: Senado testa articulação de Lula por pacote eleitoral
Resistente a procurar Alcolumbre, Lula mandou hoje - pelos articuladores - um recado: os acordos orçamentários serão mantidos. Nas entrelinhas, a garantia de que emendas parlamentares não estão em risco
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) enfrenta hoje duas realidades dentro do mesmo Congresso. Na Câmara, o Planalto tem conseguido convencer a cúpula a avançar com pautas de forte apelo eleitoral. Foi assim com a PEC do fim da escala 6x1 e agora com o projeto que amplia o teto de faturamento dos microempreendedores.
Já no Senado, Davi Alcolumbre (União-AP) tem usado o controle da pauta para ampliar seu poder de negociação e, em uma relação ainda conturbada desde o episódio envolvendo Jorge Messias, propostas prioritárias para o governo seguem sem avançar no Legislativo.
Resistente a procurar Alcolumbre, Lula mandou hoje - pelos articuladores - um recado: os acordos orçamentários serão mantidos. Nas entrelinhas, a garantia de que emendas parlamentares não estão em risco. É uma tentativa de reduzir a desconfiança e evitar as temidas pautas bomba.
Resta saber se isso será suficiente.
Enquanto a Câmara funciona como a vitrine de apostas eleitorais, o Senado se transformou no principal teste da articulação política do Planalto. E, nas mãos de Alcolumbre, segue o ritmo da agenda política dos meses restantes antes do início da corrida eleitoral.



