Galípolo defende autonomia do BC e reacende tema controverso no Congresso
Crise do Banco Master trava PEC e expõe disputa entre independência e controle sobre o BC

Ao voltar a defender o avanço da autonomia do Banco Central do Brasil, o presidente da instituição, Gabriel Galípolo, reacendeu no Congresso um debate que já vinha travado e que ganhou novos contornos após a crise envolvendo o Banco Master.
Nos bastidores, Galípolo passou a buscar apoio político para destravar a tramitação da PEC 65/2023, que amplia a independência financeira, orçamentária e administrativa do BC.
O movimento ocorre em um momento de maior resistência à proposta, que perdeu fôlego diante do aumento do escrutínio sobre a atuação da autoridade monetária na supervisão do sistema financeiro.
A crise ganhou ainda mais peso político após o envolvimento de diretores do Banco Central no caso Banco Master, o que ampliou a pressão sobre a instituição e intensificou questionamentos no Congresso sobre eventuais falhas de supervisão e governança.
A PEC tem como relator o senador Plínio Valério e está em análise na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado. O texto prevê transformar o Banco Central em uma empresa pública com autonomia ampliada, incluindo gestão de recursos próprios, estrutura administrativa mais independente e reforço da blindagem institucional.
Defensores argumentam que o modelo fortalece a credibilidade e a previsibilidade da política monetária. Mas a crise recente mudou o eixo da discussão. O caso Banco Master passou a alimentar críticas de que ampliar a autonomia, sem reforçar mecanismos de controle, pode aumentar riscos institucionais.
A proposta, que já enfrentava questionamentos — inclusive da Advocacia-Geral da União, que apontou possível inconstitucionalidade da autonomia financeira — acabou sendo paralisada no Congresso.
Nesse cenário, surgiu uma resposta no campo político. O PLP 65/2026, de autoria do deputado Pedro Uczai (PT-SC), foi apresentado como uma alternativa ao modelo de autonomia ampliada, mas ainda não tem previsão de tramitação.
O projeto propõe alterar a lei vigente para incluir novos objetivos ao Banco Central, como pleno emprego e suavização dos ciclos econômicos, além de ampliar a quarentena para dirigentes, vincular a instituição ao Ministério da Fazenda e alinhar o início do mandato do presidente do BC ao do chefe do Executivo.
Segundo o autor, a proposta busca maior coordenação entre política fiscal e monetária, sem eliminar a autonomia técnica. Na prática, porém, ela sinaliza uma visão distinta sobre o papel do Banco Central.



