Julliana Lopes
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Julliana Lopes

Foi repórter no SBT e na CNN em Brasília. Agora em SP, Julliana trouxe na bagagem vasta experiência em coberturas no Congresso e no governo federal

Governo já calcula recuo de popularidade após crise do INSS

Expectativa é que pesquisas mostrem impacto negativo na avaliação da gestão petista e perda de base eleitoral

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Após a crise do Pix, integrantes do governo admitem internamente que a revelação de um esquema de roubo de beneficiários do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) será capaz de provocar um amplo estrago na avaliação da gestão petista.

O diagnóstico tem como base levantamentos monitorados pelo Palácio do Planalto desde a investida da Polícia Federal sobre os desvios em aposentadorias

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Nesta quarta-feira (14), o presidente do INSS, Gilberto Waller Júnior, afirmou que cerca de 98% dos beneficiários que acessaram o aplicativo dos segurados nos últimos dias disseram não reconhecer ou autorizar vínculo com entidades trabalhistas, como sindicatos e associações, que realizaram descontos em suas aposentadorias e pensões.

Em ano preparatório para as eleições de 2026, o público representa uma fatia especialmente cara do eleitorado brasileiro: mais pobres e vulneráveis.

A percepção de governistas é que, por mais uma vez, o governo tem dificuldades para conter a repercussão negativa do caso, especialmente nas redes sociais.

Por mais uma vez, a oposição dominou o debate e acusou os petistas de corrupção.

Diferentemente da questão do Pix — quando recuou da medida de fiscalização anunciada pela Receita Federal —, dessa vez, o Executivo não consegue apresentar respostas rápidas e práticas para estancar a crise.

O entendimento é de que a queda na popularidade já está precificada e deve ser apresentada nas próximas pesquisas de avaliação.

No último mês, os gráficos produzidos por institutos apresentaram uma melhora tímida na imagem petista.

Sem saber como e quanto tempo vai levar para devolver os valores descontados aos aposentados, governistas sabem que a corrida será contra o relógio eleitoral. Nas palavras de um aliado de Lula, o governo "segue nas cordas" e agora, mais do que nunca, deve ativar o "modo eleição".