Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Aliados de Lula veem decisão sobre Dark Horse como munição contra Flávio

Entorno do candidato bolsonarista vê tentativa de Dino de “cavar falta” em favor do petista

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A decisão do ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), de autorizar o compartilhamento com a PF (Polícia Federal) de dados obtidos pela Polícia Civil de São Paulo sobre a produtora do filme “Dark Horse” animou o entorno do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A expectativa é que a medida acelere a apuração sobre o financiamento do filme sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro ainda durante a campanha eleitoral e vire munição contra Flávio Bolsonaro, candidato do PL ao Planalto.

A decisão foi tomada nesta segunda-feira (24) por Dino no âmbito de um inquérito que apura a destinação de emendas parlamentares para a produção cinematográfica.

Flávio também é alvo de uma investigação sobre o caso sob a relatoria do ministro André Mendonça na Corte. Em um áudio divulgado em maio, o senador pede dinheiro ao dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, para financiar a produção. O inquérito para apurar o repasse e a aplicação dos recursos foi aberto em julho por determinação do magistrado.

Na avaliação de aliados do presidente Lula, embora o compartilhamento de provas ocorra dentro do inquérito sobre emendas relatado por Dino, os dados podem acabar impulsionando também a investigação sob relatoria de Mendonça que mira Flávio, principal adversário hoje do petista na corrida presidencial.

A aposta é que, com o acesso da PF aos dados, um eventual vazamento de informações sobre o filme possa equilibrar a batalha de inquéritos que pressiona as duas campanhas.

Enquanto Flávio se vê às voltas com o desgaste provocado pelo caso Dark Horse, o presidente Lula vem sendo cobrado pelas investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e seu ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola. Os dois são alvos de inquéritos por suspeitas de ligações com a lobista Roberta Luchsinger.

O entorno petista reclama que o caso “Dark Horse” avança em ritmo mais lento e acusa Mendonça de atuar de forma diferente nas investigações envolvendo Lulinha e Marcola.

As investigações estão divididas entre Mendonça e Dino no STF. Mendonça é relator de dois inquéritos envolvendo Lulinha e de uma das investigações sobre o “Dark Horse”. Dino, por sua vez, relata o inquérito que apura emendas para o filme e um terceiro que também mira o filho do presidente.

É nesse contexto que aliados de Flávio Bolsonaro dizem ver a decisão de Dino desta segunda-feira como uma tentativa de “cavar uma falta” em favor do PT na corrida eleitoral.

Nos bastidores, o gabinete de Mendonça afirma que o ministro abriu o inquérito sobre o “Dark Horse” no mesmo dia em que recebeu o pedido da PF. Desde então, segundo interlocutores do magistrado, não houve novos andamentos do caso no STF porque as diligências seguem em curso na Polícia Federal.

No caso de Lulinha, as primeiras suspeitas surgiram no inquérito do INSS, relatado por Mendonça. A PF pediu a abertura de uma investigação específica, o que poderia levar o caso a outro relator. O sorteio no STF, porém, colocou novamente Mendonça à frente das apurações sobre suspeitas de tráfico de influência envolvendo a Dataprev e o Ministério da Saúde. Dino ficou com um terceiro inquérito que também mira Lulinha.