Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Aliados veem erro de Flávio sobre a CNBB e reação "desastrosa" em crise

A seis dias da eleição, temor é que notícia falsa sobre padroeira repita desgaste de áudios para dono do Banco Master

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Aliados do candidato do PL (Partido Liberal) à Presidência da República, Flávio Bolsonaro, veem como "desastrosa" a condução da crise envolvendo a notícia falsa que associa o senador oposicionista a uma proposta para tirar de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil.

A avaliação é que a situação, que já era desafiadora para negar a fake news, ganhou contornos mais dramáticos após Flávio atribuir a pessoas de dentro da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) participação na disseminação da notícia falsa.

Para esses aliados, a acusação ampliou a crise e criou um confronto com a entidade, dando munição à campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que vem explorando o caso.

A seis dias do primeiro turno, o receio é que a campanha bolsonarista não tenha tempo para reverter o desgaste no momento em que Flávio faz um esforço pelo voto útil e para atrair indecisos.

O temor é que Flávio Bolsonaro enfrente um desgaste tão grande como quando, em maio, foram divulgados os áudios do senador para Daniel Vorcaro pedindo dinheiro do Banco Master para financiar o filme "Dark Horse", sobre a vida do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Na avaliação desses aliados, Flávio voltou à defensiva depois de três semanas em que conseguiu pressionar Lula ao explorar a crise no STF (Supremo Tribunal Federal) e a relação do ministro Alexandre de Moraes com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master.

“A maior fake news dessa campanha foi essa sobre Nossa Senhora Aparecida, algo que nunca, não existia esse movimento pra tirar ela de ser padroeira do Brasil, jamais existia, não tem projeto, não tem nada. O PT já estava há alguns dias tentando levantar essa fake news, conseguiu com ajuda de gente dentro da CNBB, infelizmente, essa é a realidade”, afirmou Flávio durante agenda em Goiânia, neste domingo (27).

A CNBB negou envolvimento na produção ou disseminação de informações falsas relacionadas ao processo eleitoral. A entidade afirmou que “a mentira não se combate com outra mentira” e disse que acusações sem fatos ou provas atingem injustamente a instituição.

Pessoas próximas a Flávio dizem que a fala não estava no script para a reação, mas atribuem a declaração ao cansaço e a um deslize diante da pressão do caso.

Como mostrou a CNN, a campanha de Flávio havia determinado que aliados evitassem dar declarações e que o próprio candidato falasse de improviso para evitar o risco de polêmicas na reta final do primeiro turno.

A notícia falsa viralizou nas redes sociais na noite da última quinta-feira (24) após um comentário em um canal de televisão citar a preocupação de bispos com a retirada do título da padroeira.

Flávio gravou um vídeo para desmentir poucas horas depois, mas a esquerda seguiu explorando o tema. O canal de TV chegou a pedir desculpas pelo erro.

Na sexta-feira (25), a equipe jurídica de Flávio recorreu ao TSE (Tribunal Superior Eleitoral) para derrubar a associação do senador Flávio ou de sua família à intenção de retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil.

O pedido foi atendido pelo ministro André Mendonça. Ao todo, a decisão determinou a indisponibilização imediata de 1.170 links relacionados nas petições e anexos do processo, desde que reproduzam o conteúdo delimitado pelo ministro. A ordem envolve publicações no X, Facebook, Instagram, TikTok e YouTube.

Entre as publicações derrubadas estava a do humorista Antônio Tabet, cujo post dizia que a “família miliciana” havia atacado Nossa Senhora Aparecida, sem citar Flávio nominalmente.

A publicação de Tabet, feita no X, trazia uma imagem de Nossa Senhora Aparecida acompanhada da legenda: "A família miliciana odeia tanto mulher preta que resolveu atacar Nossa Senhora Aparecida!”

Após um recurso do humorista, o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal), derrubou a decisão de Mendonça neste domingo (27). Nesta segunda, o ministro enviou o caso ao plenário, enquanto a equipe jurídica de Flávio apresentou um novo recurso ao ministro Luiz Fux, do STF, pedindo a suspensão da medida de Dino.

Aliados questionam até mesmo a decisão jurídica de pedir a derrubada das publicações, em especial a de Tabet, que fala em "família miliciana", mas sem citar os Bolsonaro diretamente. Para eles, Flávio "mordeu a isca".

Diante da pressão sobre a repercussão da notícia falsa de que há um movimento para retirar de Nossa Senhora Aparecida o título de Padroeira do Brasil, Flávio decidiu participar do debate da TV Globo na próxima quinta-feira (1º), independentemente da presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

A campanha também vê o debate como um espaço para reforçar o apelo pelo voto útil entre os eleitores de direita, fixar o número do candidato e se contrapor a Lula, apresentando Flávio como um nome mais propositivo e de “esperança para o futuro”.

Por sua vez, o PT espera que o presidente Lula abra vantagem sobre Flávio na reta final após anúncios como a proibição das bets e a repercussão da notícia falsa sobre Nossa Senhora Aparecida.