Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Análise: Flávio e Lula ignoram indecisos em debate e falam a convertidos

Troca de ataques mobiliza militância, mas deixa em segundo plano propostas para conquistar quem ainda não escolheu um candidato, admitem interlocutores das duas campanhas

O esperado primeiro confronto entre o senador Flávio Bolsonaro (PL) e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), na corrida pelo Palácio do Planalto, terminou com a admissão de interlocutores das duas campanhas de que nenhum voto pode ter sido conquistado ao final do debate exibido pela Band na noite deste domingo (18).

Do lado de Flávio, aliados admitem que o tom agressivo pode ter passado do ponto, mas sustentam que o senador se impôs e reforçou o discurso de mudança. No entorno de Lula, interlocutores reconhecem que o presidente caiu na provocação, mas avaliam que ele conseguiu expor o filho do ex-presidente Jair Bolsonaro ao insistir em perguntas sobre sua trajetória e suas relações que ficaram sem resposta.

Durante o programa, os dois candidatos, contudo, pareceram mais preocupados em falar para a militância e assegurar seus votos do que em buscar um diálogo com o eleitor indeciso, cansado da polarização, que pode ter assistido ao debate em busca de alguma motivação para sair de casa no próximo domingo (25).

A disputa está no limite da margem de erro segundo as pesquisas. Portanto, são os votos do eleitor ignorado no debate que podem fazer diferença nas urnas.

A troca de golpes serviu para alimentar a "Tropa de Flávio" e o "Exército de Lula". Nos canais do WhatsApp, apoiadores eram orientados a distribuir cortes nas redes sociais, publicar hashtags e fazer buscas a favor de seu candidato e contra o adversário.

Já o eleitor indeciso, fora das bolhas bolsonarista e petista, se deparou com um Flávio agressivo e com respostas ensaiadas. E encontrou um Lula nervoso e, em boa parte do tempo, fora de forma para o embate.

A troca de acusações, que deu ares de ringue ao palco, pode ter reforçado no eleitor a percepção de que os candidatos estão mais interessados em usar as investigações sobre o Banco Master e o escândalo do INSS contra o adversário do que em prestar esclarecimentos.

As propostas, pouco exploradas até aqui na campanha, mais uma vez ficaram em segundo plano. Flávio prometeu melhorar a vida do brasileiro, mas sem explicar como pretende fazer isso. Lula não conseguiu ser claro ao apresentar propostas que pudessem motivar o eleitor a lhe dar um novo mandato.

Entre as soluções fáceis apresentadas por Flávio e a segurança da experiência reivindicada por Lula, o eleitor que pode definir a eleição terminou o debate sem clareza sobre o que cada um pretende fazer com os próximos quatro anos.