Flávio critica Lula e promete soberania "sem ideologia" em plano de govern
Candidato do PL cita Maduro e diz que, em eventual governo, guiará relações por interesses econômicos e estratégicos

Candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro fez críticas à política externa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em seu plano de governo, divulgado nesta quinta-feira (13), e disse que defenderá a soberania “sem ideologia”.
O texto é uma resposta ao presidente Lula, que usa a defesa da soberania como uma das principais plataformas de sua campanha à reeleição, em meio à aplicação das tarifas de 25% dos Estados Unidos aos produtos brasileiros e à medida do governo de Donald Trump de equiparar facções criminosas brasileiras a organizações terroristas.
No documento, Flávio afirma que “soberania se exerce na prática, não no discurso” e acusa a atual política externa de ter trocado o interesse nacional pela ideologia.
“Nos últimos anos, a política externa brasileira trocou o interesse nacional pela ideologia, protegendo regimes propensos ao terror e seus criminosos”, diz o documento de 76 páginas intitulado "Para o Brasil Avançar."
O candidato também relaciona a defesa da soberania à segurança pública. Segundo o programa, “um país só se faz respeitar no mundo quando protege primeiro os seus” e quem não garante a segurança internamente “não tem autoridade para falar em soberania lá fora”.
Na crítica direta ao governo Lula, o documento cita a recepção ao presidente venezuelano Nicolás Maduro e a autorização para a atracação de navios de guerra iranianos em portos brasileiros.
"Nossa proposta é o oposto: uma diplomacia guiada pelo profissionalismo e pelo pragmatismo, não pela ideologia. O Itamaraty voltará a ser conduzido pela competência técnica que sempre marcou seus quadros, e o Brasil voltará a privilegiar os parceiros interessados no ganho mútuo do comércio, sem escolher amigos por afinidade ideológica", diz o texto.
O plano também promete reaproximar o Brasil de parceiros que, segundo Flávio, foram afastados durante a gestão Lula. O candidato cita nominalmente Argentina, Estados Unidos e Israel e afirma que as relações com esses países “foram levadas ao limite do rompimento” nos últimos anos.
Flávio diz ainda que pretende negociar com diferentes blocos e países, “da China à União Europeia, dos Estados Unidos aos mercados asiáticos”, e afirma que a diplomacia será orientada pelo interesse de produtores e trabalhadores brasileiros, e não pela “simpatia ou antipatia por este ou aquele governo”.



