Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Operações da PF pressionam PL a trocar palanque no Rio para blindar Flávio

Bolsonaristas defendem a saída de ex-governador e de Márcio Canella (União) como pré-candidatos ao Senado para salvar projeto eleitoral no reduto da família Bolsonaro

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A nova operação da PF (Polícia Federal) contra o ex-governador do Rio Cláudio Castro (PL) e investigações sob sigilo que podem mirar o ex-prefeito de Belford Roxo Márcio Canella (União), ambos pré-candidatos ao Senado, pressionam o PL a fazer mudanças no palanque no estado na tentativa de blindar a candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) à Presidência.

Após o ex-governador ser alvo da PF pela segunda semana seguida, integrantes do PL admitem que a situação de Castro é insustentável e defendem que a troca seja feita o quanto antes para estancar uma crise que pode ser sem precedentes no reduto eleitoral da família Bolsonaro.

O PL oficialmente diz ainda não ter definição sobre Castro, mas integrantes da legenda de Jair Bolsonaro afirmam que não há possibilidade de o ex-governador se manter na chapa e avaliam inclusive o risco político de uma eventual prisão.

Na mesma estratégia, bolsonaristas também têm defendido que o PL se antecipe e rompa o acordo com a federação União Progressista, que lançou Márcio Canella como pré-candidato ao Senado na chapa de Flávio.

O ex-prefeito de Belford Roxo é alvo de uma investigação ainda em fase inicial do Ministério Público do Rio sobre suposta interferência no Rioprevidência (Fundo Único de Previdência do Estado do Rio de Janeiro) e até mesmo uma rede de postos de combustíveis operada por laranjas, conforme revelou o portal Metrópoles.

Dois nomes cotados para ocupar as vagas de pré-candidato ao Senado são os do deputado federal Carlos Jordy (PL-RJ) e do ex-secretário da Polícia Civil do Rio, delegado Felipe Curi (PP).

Jordy é visto como ativo no discurso para distanciar Flávio do Caso Master, visto que é autor de um dos pedidos de CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) para apurar a fraude bilionária na instituição financeira do empresário Daniel Vorcaro.

Por sua vez, Curi, que já foi citado como opção ao governo, reforça o discurso de linha dura na segurança pública do filho do ex-presidente. O ex-secretário de Polícia Civil esteve à frente da megaoperação nos complexos da Penha e do Alemão, que deixou 121 mortos em outubro do ano passado.

A ex-vereadora Rogéria Bolsonaro, mãe de Flávio, já foi testada nas pesquisas de intenção de voto ao Senado no Rio, mas aliados do senador dizem que a chance é pequena. À CNN, no início do mês, o pré-candidato ao Planalto disse que sua mãe é “candidata a ser suplente de Márcio Canella.”

Até aqui, o único poupado neste plano bolsonarista para o palanque é o presidente da Alerj, deputado estadual Douglas Ruas (PL-RJ), como pré-candidato ao governo. Apesar de ter sido secretário estadual de Cidades da gestão Castro, o entorno alega que Ruas estava no governo como cota da direção do PL e não era um nome do então governador.

Por outro lado, já ganha força a substituição na vaga de vice na chapa de Douglas Ruas. O mais cotado até agora é o ex-prefeito de Nova Iguaçu Rogério Lisboa (PP). Há uma defesa de que Flávio tente buscar o Republicanos, que hoje tem o ex-governador Anthony Garotinho como pré-candidato ao Palácio da Guanabara.