Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

PT contra-ataca com Dark Horse após desgaste por Lulinha e Marcola

Oposição explora investigações para atingir Lula; petistas argumentam que caso Flávio é mais grave eleitoralmente

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O PT voltará a explorar o caso "Dark Horse", sobre o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), para neutralizar os ataques da oposição, que, nesta largada da corrida presidencial, reforçou seu arsenal contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com as suspeitas envolvendo o empresário Fabio Luís Lula da Silva, o Lulinha, e o ex-chefe de gabinete da Presidência Marco Aurélio Ribeiro, o Marcola.

Interlocutores da campanha admitem que será uma "guerra" e que os adversários vão explorar as investigações para tentar associá-las diretamente ao presidente. Apesar do evidente desgaste com o avanço das apurações da PF (Polícia Federal) sobre a relação de Lulinha e Marcola com a empresária Roberta Luchsinger, o QG petista aposta que tem mais munição contra Flávio.

O argumento é que Lulinha e Marcola não são candidatos ao Palácio do Planalto, enquanto Flávio é. Na avaliação de integrantes da campanha, isso torna eleitoralmente mais grave para o senador o caso envolvendo o áudio em que ele pede dinheiro a Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso também é alvo de inquérito da PF.

A estratégia do QG petista será voltar a explorar o áudio, as notas fiscais e as movimentações financeiras revelados no caso "Dark Horse". Além disso, vão cobrar o avanço das investigações.

A campanha também aposta que as suspeitas envolvendo Lulinha e Marcola podem perder força caso as investigações não tragam fatos novos. Petistas avaliam que a maior parte das informações já veio a público e que, depois de um período de maior desgaste, o assunto tende a perder espaço no debate eleitoral, a exemplo do que ocorreu com "Dark Horse".

O filho mais velho do presidente é alvo de três inquéritos, relatados pelo ministro André Mendonça no STF (Supremo Tribunal Federal), por suspeita de tráfico de influência no governo. Lulinha é amigo de Roberta Luchsinger, que teria atuado com o lobista Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como "Careca do INSS".

A mesma empresária, segundo a PF, depositou R$ 249 mil na conta do ex-chefe de gabinete de Lula, que alega se tratar de um empréstimo pessoal. As investigações também apontaram que Luchsinger comprou para Marcola duas joias avaliadas em R$ 9,2 mil. A defesa afirma que o valor faz parte do empréstimo, posteriormente quitado por ele.

A Polícia Federal também encontrou uma conversa em que o então chefe de gabinete presidencial recebeu de Luchsinger a minuta de um contrato para a venda de cannabis medicinal ao Ministério da Saúde sem a realização de licitação. A informação foi revelada pelo jornal "O Globo" e confirmada pela CNN.

Aliados de Lula argumentam que, até o momento, não foi identificado dinheiro de Luchsinger na conta de Lulinha e sustentam que os valores envolvendo Marcola têm como justificativa um empréstimo. A origem e as circunstâncias dessas movimentações estão sob investigação e dependerão das conclusões da Polícia Federal.

A oposição, contudo, já explora os dois casos para tentar associar o governo Lula a escândalos de corrupção, como o Mensalão e a Lava Jato.

Nesta terça-feira (18), o candidato do PSD à Presidência, Ronaldo Caiado, disse que prefere aguardar as conclusões da PF, mas criticou Lula por relativizar suspeitas que, segundo ele, chegam à "antessala da Presidência".

“Está mais do que caracterizado quando a corrupção chega na antessala de um presidente da República e que o presidente da República dirige ao Brasil todo e diz: ‘Quem nunca pegou um dinheirinho emprestado?’. Ou seja, você vulgariza o cargo da Presidência da República e você se propõe a achar uma explicação para a corrupção. Essa é que é a gravidade do Brasil hoje”, disse.

O deputado Alfredo Gaspar (PL-AL), vice na chapa de Flávio e ex-relator da CPMI do INSS, também retomou acusações feitas durante os trabalhos da comissão.

“Na CPMI, indicamos Lulinha e Roberta como representantes para tráfico de influência. A PF demorou seis meses para isso”, afirmou Gaspar, que disse ter certeza de que Lulinha e Marcola serão presos.

Gaspar ainda tentou vincular diretamente as suspeitas ao presidente.

“O gabinete presidencial está manchado com a lama da corrupção, e Lula não tem como dizer que não sabia. Se ele botar a mão no fogo por Lulinha, se queima. Se ele inocentar Lulinha, é cúmplice. Se ele obstaculizar a Polícia Federal a fazer o trabalho dela, ele está compactuando com o crime, o crime praticado dentro do gabinete presidencial”, afirmou.