PT quer colar Flávio a deputado preso no Rio; PL busca conter desgaste
Aliados dizem que senador se afastou de Márcio Canella em julho; eleito para a Alerj, ex-prefeito chegou a ser anunciado ao Senado na chapa bolsonarista

A campanha do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) vai explorar a prisão do deputado estadual eleito Márcio Canella (União Brasil) no Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (15), para desgastar o senador Flávio Bolsonaro (PL) na reta final da corrida presidencial.
A estratégia é aproveitar o episódio e reforçar cobranças ao filho do ex-presidente Jair Bolsonaro sobre suas relações políticas no reduto eleitoral da família. A campanha petista pretende resgatar manifestações de apoio e elogios de Flávio a Canella, que chegou a ser anunciado como pré-candidato ao Senado na chapa bolsonarista.
Aliados do candidato do PL, por outro lado, tentam conter o desgaste argumentando que Flávio se afastou do ex-prefeito de Belford Roxo após uma operação da PF (Polícia Federal) em julho e já não o apoiava antes da nova ordem de prisão.
Segundo mais votado para a Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro), Canella foi preso por suspeita de integrar um esquema de lavagem de dinheiro por meio de postos de combustíveis. A relação com Flávio foi mencionada por Lula na sabatina da TV Globo nesta quinta-feira.
Em fevereiro, Canella havia sido anunciado como pré-candidato ao Senado com apoio de Flávio. A mãe do presidenciável, Rogéria Bolsonaro, era cotada para ser sua primeira suplente. Em abril, o senador reafirmou o compromisso nas redes sociais.
“Estou aqui para reafirmar nosso apoio integral, 100%, ao meu amigo Márcio Canella como pré-candidato ao Senado no Rio de Janeiro”, declarou.
Na mesma publicação, Flávio citou a passagem do aliado pela Alerj e sua gestão em Belford Roxo. Disse que Canella era “uma pessoa competente, que sabe trabalhar” e estaria com ele “na missão de resgatar o nosso Brasil”.
Depois de ser alvo da PF em julho, Canella desistiu do Senado e concorreu à Assembleia Legislativa do Rio. Foi o segundo nome apoiado por Flávio a deixar a disputa após uma operação da corporação. Antes dele, o ex-governador Cláudio Castro (PL) também havia desistido após se tornar alvo de investigações da PF.
Sem Canella e Castro, as duas vagas ficaram com Carlos Portinho e Carlos Jordy, ambos do PL, eleitos em 4 de outubro.
A candidatura de Canella a deputado estadual foi questionada pelo Ministério Público Eleitoral, que, em agosto, se posicionou contra a participação dele na eleição, citando indícios de ligação com a milícia. O ex-prefeito, porém, acabou eleito para a Alerj com 197.178 votos.
A prisão desta quinta-feira ocorreu na oitava fase da Operação Unha e Carne, que investiga uma organização criminosa suspeita de usar uma rede de postos de combustíveis na região metropolitana do Rio para lavar dinheiro. O ex-secretário de Polícia Civil do estado, Marcus Vinicius Amim Fernandes, também foi preso.
Segundo a PF, Canella atuava como “patrono político e articulador de alto escalão” do grupo. A investigação aponta que o esquema movimentou mais de R$ 7,6 bilhões em seis anos, conforme relatório de inteligência financeira do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras).
Ao defender a prisão, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, destacou a capacidade de articulação institucional do político e o risco de continuidade da captação e ocultação de recursos.
Em julho, Canella havia sido preso em flagrante após agentes encontrarem um fuzil no veículo em que estava. Ele afirmou que a arma pertencia ao policial militar responsável por sua segurança. Três dias depois, o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), determinou sua soltura mediante medidas cautelares.
Após a nova prisão, a defesa de Canella informou que ainda não havia tido acesso à decisão.



