Jussara Soares
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Jussara Soares

Em Brasília desde 2018, está sempre de olho nos bastidores do poder. Em seus 20 anos de estrada, passou por O Globo, Estadão, Época, Veja SP e UOL

Valdemar extingue comando do PL Mulher: "Ninguém tem o tamanho de Michelle"

Presidente do PL quer focar nos diretórios femininos estaduais, montados pela ex-primeira-dama

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O presidente do PL, Valdemar Costa Neto, extinguiu nesta quarta-feira (1º) o comando nacional do PL Mulher, um dia após a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro deixar o cargo alegando que vai se dedicar integralmente aos cuidados do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O desligamento ocorreu em meio à crise com o senador Flávio Bolsonaro, pré-candidato do PL à Presidência.

À CNN, o dirigente da sigla afirmou que decidiu acabar com o posto porque não há nomes dentro do partido para substituir Michelle.

"Já extingui hoje [o comando do PL Mulher]. Não temos ninguém com o tamanho de Michelle para substituí-la", justificou Valdemar à CNN.

Sem Michelle no comando nacional do PL Mulher, a legenda vai apostar nos diretórios femininos nos estados, estrutura montada pela ex-primeira-dama.

A saída do PL Mulher foi comunicada por Michelle a Valdemar na terça-feira (30), em meio aos atritos públicos com o senador Flávio Bolsonaro. A ex-primeira-dama divulgou na semana passada um vídeo dizendo que o enteado a "maltratou", "desrespeitou" e "humilhou" em meio às divergências sobre o apoio do PL ao ex-ministro Ciro Gomes (PSDB) no Ceará.

Flávio se desculpou com Michelle e disse que jamais teve a intenção de magoá-la. Nesta quarta-feira, reuniu-se com lideranças femininas na tentativa de aplacar o desgaste. Na ocasião, repudiou as declarações do empresário Paulo Figueiredo, que afirmou que "mulher vota muito mal".

"Eu quero repudiar veementemente a fala do Paulo Figueiredo sobre as mulheres. Não concordo com o que ele falou. Completamente equivocado", disse.

Em nota, Michelle disse que deixou o cargo para se dedicar exclusivamente aos cuidados do marido, o ex-presidente Jair Bolsonaro, que cumpre prisão domiciliar após ser condenado pelo STF (Supremo Tribunal Federal), e da filha Laura. Ela também mencionou o trabalho que levou ao crescimento do PL Mulher nos estados.

"Conhecendo a força e a capacidade das mulheres brasileiras, tenho certeza de que o nosso movimento crescerá ainda mais e teremos um futuro próspero para os nossos filhos e netos. Quero agradecer, na pessoa da minha vice-presidente, Priscila Costa, a todas as minhas presidentes estaduais e municipais que, com tanto carinho, empenho e dedicação, tornaram possível a expansão de nosso movimento, que está edificando o nosso país. Sem vocês, nada disso seria possível", diz o comunicado.

Por sua vez, Valdemar também afirmou, em nota, que "Michelle fez um excelente trabalho à frente do PL Mulher" e que sua decisão precisa ser respeitada.

"Temos muitos líderes no partido e, por maiores que sejam as divergências, o que nos une é muito maior. As indignações internas não serão maiores do que a indignação coletiva de ver o que esse governo faz com o nosso país", afirmou o dirigente.

Como mostrou a CNN, Michelle deixou em aberto a possibilidade de disputar uma vaga no Senado pelo Distrito Federal neste ano. Aliados afirmam que ela ainda decidirá se será candidata. A definição precisa ocorrer dentro do prazo das convenções partidárias, que podem ocorrer entre 20 de julho e 5 de agosto.

Até hoje, a ex-primeira-dama jamais admitiu a vontade de concorrer pela primeira vez a um cargo público, embora também nunca tenha negado essa possibilidade. Quando questionada, a agora ex-presidente do PL Mulher sempre diz que seu destino político está entregue a Deus e será definido junto com o marido, no tempo certo.